Who Farted? - O Blog.

O Who Farted é meu blog infame de conteúdo absolutamente pessoal e intransferível, no qual publico pequenos pensamentos de filosofia nonsense de boteco e pequenas fantasias de realidade fantástica (ficção), reflexões insanas e fartológicas.

Aqui solto meus fantasmas e exponho livres pontos de vista sobre um universo maluco que me cerca.

Who Farted é meu psicanalista, meu diário, minha carta aberta a meus amigos e amigas.

21 outubro 2016

Infernos Particulares


Meu celular, faz tempo, quebrou a conexão USB pela qual ele era recarregado. Não que isso fosse algo difícil de ser consertado, tampouco caro, mas resolvi me adaptar e simplesmente utilizar um carregador externo, do tipo que, se você ainda não viu um destes, possui uma garra plástica e dois pequenos contatos metálicos que devem ser encaixados corretamente nos contatos da sua bateria, para que seja feita a recarga.

Não satisfeito, o chinês que me vendeu essa arapuca achou que eu me daria bem com um destes aparelhos que tinha as "perninhas" dos contatos tortas ao estilo garrincha - acertar a ponga da bateria na repibenga eletrizada do carregador externo se tornara quase um quebra-cabeças diário, meu cubo mágico pessoal, sempre que meu celular descarregava.

Apesar deste perrengue, do fato de que um carregador destes custa o valor de três passagens de ônibus, e de que existe um quiosque de conserto de celulares na esquina da minha casa que efetuaria o reparo no próprio celular por pouco mais do que isso, passei quase um ano me autoflagelando com este celular e este carregador de pernas tortas.

Um belo dia, acordei puto da vida e resolvi dar um jeito nisto. Fui até a esquina e comprei um novo carregador externo de celular de pernas menos tortas.

É isso.

Fico me perguntando por que eu, tanto quanto qualquer um de vocês, tenho esta mania de cultivar pequenos infernos pessoais desnecessários.

Sem mais.

(é, eu sei que já tá é na hora de trocar de celular, assim como tá ruim de escrever com meus óculos de leitura de alças quebradas escorregando pelo nariz)

29 setembro 2016

Rupturas Abruptas Irrestritas


"Os problemas da minha vida estão em mim mesmo" - já dizia o filósofo esquerdista Emmanuel Kornsteinn.

Não que adiante jogar tudo por alto, pois é muito provável que, depois de tanta destruição e revolta, eu vá parar no mesmo lugar, em outro momento. Mas há lá o que se aproveitar em se começar do zero. Há sempre o alívio imediato dos recomeços, das zeradas de expectativas.

Há sempre este peso incômodo das coisas mal resolvidas, até que simplesmente se decrete desistência irrevogável.

Chega uma hora em que os resultados de tudo que me cerca ficam tão deteriorados, que pouca coisa serve, quase nada se aproveita para um caldo safado qualquer. Nem esta bobagem amorosa em que resolvi acreditar, nem os resultados de meus esforços profissionais, nem as parcas amizades que cultivo. Está tudo errado comigo - um impaciente, que como todos, deseja que o mundo seja como em seus planos mais precisos.

Os planos são simples. Trocar minha guitarra por uma lambreta. Mudar de cidade e de nome. Fazer uma nova tatuagem. Aprender a dança secreta das tribos indígenas dos Apalaches. Vender meu ventilador.

Pronto, resolvido. E logo me mudo.

Ou mudo de ideia.

21 setembro 2016

Refluxos Sentimentais


A mente da gente dá uns nós malucos. De repente, eu tive um daqueles sonhos realistas e apaixonados com uma daquelas meninas que prefiro esquecer que de alguma forma passaram em minha vida. Nada contra a menina, mas contra a vida como ela às vezes pode ser.

Se fosse pelo sonho, eu até ia ficar feliz por ter um segundo round, mais maduro, desta história perdida no tempo.

Mas o tempo não volta do mesmo jeito. Ele volta em outras pessoas e outros cenários.

A vida sentimental da maioria das pessoas que conheço é extremamente repetitiva. Elas tendem a encontrar e se apaixonar por pessoas sempre muito parecidas entre si. Deveria ser o oposto, deveríamos nos deleitar com a descoberta de novas possibilidades, novos sabores.

Apesar de eu não me conhecer muito bem, como sugere este sonho desenterrado, minha vida sentimental parece apostar nos refluxos e nas semelhanças, tanto quanto a de quase todo mundo que conheço.

Talvez por isso, os místicos sugiram que haja um carma a ser resolvido por cada um antes de morrer. Seria como um loop infinito do qual você só sai se resolver o enigma do dragão - e avaliando o flashback, eis me aqui de novo.

Novos personagens, longas histórias, finais surpreendentemente iguais. Ou eu faço algo assim, todo errado, dar certo, ou parece que voltarei sempre aqui.

A mente da gente escreve certo por linhas tortas. Ela avisa, informa, repassa.

O que devo resolver em minha vida, ó grande guru sentimental?

"Errrr... ... ...".

Tá bom, deixa comigo, de novo.

17 setembro 2016

Procriação e Procrastinação


Bora ser piegas de uma vez só, pra não pensar demais: mesmo nesse mundo louco, onde todos tentam fingir que não, o amor existe. Tenho provas irrefutáveis disto, e me preocupo.

É a gota d'água que cai na pedra quente, que tanto bate até que evapora.

É fato que em termos evolutivos o amor é apenas uma ilusão química, que nos estimula para a reprodução e o cuidado com as crias. Mas é bem verdade, também, que se este for o sentido da vida, não se permitir iludir é não se dar o direito de enxergar sentido na existência, e portanto, de alguma forma, se dedicar a apenas morrer sem fazer nada que preste.

Mas a constatação mais louca que sempre tive nesta vida, e que, a cada ano que passa, deixo de tentar desacreditar em minhas ilusões perceptivas, é que amar gera a tal conexão mental entre as pessoas envolvidas - provavelmente, eu sinto, nas madrugadas, a falta que ela começa a sentir de mim.

E não estou ficando louco - provavelmente, estamos falando de falta de cerveja (nela).

Diferente do que geralmente vejo em mim, mesmo assim não estou em clima de melancolia.

Devo estar velho pra tudo isso. O mistério destas percepções e mágicas ilusórias de sentido da vida é que, quando acontecem, trazem sempre um sentido de absurdo e de improvável. Aquele sentimento de perda que sempre dá o empurrãozinho final.

E no final, o que vale é que seus beijos me fazem bem.

Então, me deixa bem, por hoje.

Não vou estragar estes pensamentos postados aqui com um final cínico, desta vez.

A vida e seus encontros já são cínicos o bastante comigo.

Se eu tivesse de dizer algo neste momento, seria:

"Vê se para de me deixar ir embora assim, sem fazer nada, porque eu estou indo sem querer".

15 setembro 2016

A Geração Destestosteronizada


Nunca fomos tão femininos, para bem e para mal. Quase todo dia, recebo postagens pelo Facebook que falam sobre os problemas e qualidades das novas gerações, mas poucas observações li a respeito disto, salvo a própria constatação de que a testosterona, e todos os comportamentos ligados a ela, estão pelo menos fora de moda - se ela mesmo não estiver circulando em menores quantidades.

Tudo o que posso dizer sobre isso pode ser um tanto politicamente incorreto, impopular, mas foda-se - somos todos adultos, não somos? Podemos conviver com alguma opinião adversa para reflexão, espero.

Não sei dizer se isto é reflexo de algo com bases científicas, tal como excesso de ingestão de soja no Toddynho e no Miojo, ou apenas a falta de estímulo externo por conta das novas demandas, mais intelectuais do que físicas, das grandes cidades e seu distanciamento digital.

Mas quem sou eu pra saber desses trens? Nem médico nem psicólogo. Tudo é apenas observação e especulação minha.

O estrogênio, a malícia feminina, suas chantagens emocionais, seu talento para reclamar e ter sempre razão de algum ponto de vista misterioso, tudo isso tem cara de mundo moderno, seja na política, nas relações pessoais, nas expectativas quanto ao que o mundo tenha a oferecer.

Basicamente, todos, sejam homens ou mulheres, querem direitos sobre o calor da fogueira, e existe pouca gente interessada em cortar lenha.

Sexo de verdade, do tipo que se faz de forma presencial, anda meio fora de moda, inclusive, ainda que os simulacros gélidos desta antiga forma de amor estejam em alta.

Talvez, a diferença entre homens e mulheres não ande grande o suficiente para gerar fagulhas de desejo entre os dois sexos, e provavelmente por isso mesmo, tanta gente ande se encorujando em relações com pessoas do mesmo sexo, meio sem sexo, se você me entende - noto uma certa burocratização das relações, uma ênfase maior em querer ser atendido por uma convivência ao estilo do quarto das irmãs, e menos visceral.

Ou, deixa eu colocar de ladinho, agora: sexo nunca foi tão fácil, na verdade, mas se percebe uma certa mecanização, uma preocupação imensa com os papeis de cada um, e seu abandono prematuro, durante as relações mais longas.

O termo Rock'n'Roll foi baseado, por exemplo, no ato sexual.

Note que, antigamente, uma banda de Rock era algo típico de cabamachos altamente testosteronizados, suados e maus.  Hoje, fico apreensivo ao imaginar o que aconteceria se uma barata entrasse num estúdio de ensaio de uma banda de barbudinhos sensíveis - seria uma gritaria, uma correria.

Certa vez, estava observando um destes meninos Los Hermanos Friendly chegando em uma menina fofíssima em frente a um bar, e tive muito medo do que poderia surgir daquela relação.

O cara ia chegando lentamente, com as mãos para trás, com trejeitos fofos, para dar uma bicota cuidadosa na boca da menina, que vestida como uma boneca vintage moderna, fingia achar tudo aquilo a coisa mais chuquichuqui do mundo - sem muito língua e sem muita baba.

Se esta relação perdurou, certamente foi baseada em assistir seriados do Netflix e milk-shake do Bob's, com o ar-condicionado ligado - para ninguém suar demais.

Todo mundo sabe que em algum momento desta vida sobrecontrolada de movimentos medidos, esta menina vai precisar encontrar um homem com pegada, ou essa porra toda vai desandar de vez, e passaremos a procriar apenas em laboratório, como nos filmes de ficção científica!

É preciso esclarecer que testosterona é algo que influencia o comportamento do homem e da mulher. É ela que dá, também às mulheres, aquele sexdrive mais forte, e muito de sua sensualidade.

Não sei se isto é causa ou efeito, mas a impressão que tenho é que nenhum homem entende mais as mulheres como antigamente, pois isto é meio politicamente incorreto. Mulheres possuem esta característica contraditória, de reclamar daquilo que gosta, dizer que não quer e rezar pra você insistir mais um pouco, amar os homens que elas odeiam.

Como fazê-las felizes e sexuadas, num mundo de respeito quase insistente às suas vontades? Não deve rolar, sei lá. Vira uma boneca ranzinza e mimada, ou uma pegadora de coração gelado.

E o preocupante é que os homens querem o mesmo! (WTF)

E por favor, não me venha politizar nada disso, com bobagens sobre machismo, femismo, feminismo. O papo cabeça aqui foi sobre o amor e seus mistérios.

Seremos como os ursos Pandas.

19 agosto 2016

Verdades Bestas


Depois de anos de reflexão (quase) solitária na suíte dos ventos uivantes do Heartbreak Hotel, hoje pela manhã, em uma daquelas epifanias que todos um dia temos antes do café, percebi que na verdade existe quem simplesmente não precise de ninguém.

Eu achei que eu mesmo fosse desse jeito, pra ser sincero.

Afinal, eu tenho prazer em estar sozinho, não sou do tipo que casa nem namora por reflexo e hábito. Eu simplesmente não preciso de ninguém, a não ser que eu precise.

Contudo, geralmente não preciso.

Amores e paixões para alguém que realmente não precisa de ninguém surgem apenas pela vontade do dia, como quem acordou com vontade de comer pizza ou panqueca. Geralmente, não tem nada a ver com as outras pessoas envolvidas, e apenas com sua própria vontade de matar o tédio. Não se trata de maldade ou egoísmo, e sim de uma certa virgindade sentimental, de quem, provavelmente, nunca se ferrou de verdade nestas coisas.

Mas nisto, não me encaixo não.

Talvez, tenha sido como cheguei aonde estou, adquiri minhas crenças atuais, ano a ano - devo ter partido de algo assim.

Hoje, penso que precisar de alguém, mesmo, nunca preciso. Mas, às vezes, simplesmente quero.

16 agosto 2016

As Intenções Sexuais de Cada Um


O Instituto de Sexologia Aplicada Who Farted, em recentes percepções de mercado, tem notado que a atual obrigação de transar bem, gozar e fazer gozar, tem feito com que alguns destes encontros românticos casuais estejam se tornando demasiadamente mecanizados, chatos, com excesso de expectativas e esvaziados de sua essência principal.

Provavelmente, isto é fruto daquela geração que ficava contando com quantas meninas tinham ficado na balada, e de quebra tem afastado muita gente da prática da coisa toda, por mero desinteresse - o que é alarmante.

Para facilitar a vida dos jovens mancebos, o ancião sexual WhoFa, ex-barbossexual ativo e gordossexual praticante, resolveu juntar um pouco de seu nobre conhecimento sobre os vários possíveis pontos de vista de uma boa transa, misturar com dados científicos de todos os Institutos do Grupo de Estudos Who Farted, em um compêndio sucinto, para quem sabe, revitalizar o entendimento de algumas modalidades importantes na vida de pecados de todos nós.

Dentro destas modalidades citadas, se encaixarão todas as formas criativas de fazer cada uma delas, como por exemplo, em grupo, casual, no casamento, em formato hétero, homo ou pan, poli... Você escolhe. O que vamos descrever são as intenções e não a forma de fazer.

Simbora nesta viagem ao conhecimento!

Manual Who Farted das Intenções Sexuais.


"Dar": esqueça todas as preocupações da revista Marie Claire sobre encontrar o ponto G, ou chegar ao orgasmo junto com seu parceiro. Um dos prazeres que estão sendo esquecidos, negligenciados, é este de simplesmente se permitir ser usado por alguém, perder o controle da situação. O prazer é exatamente esse, de ser dominado, independente do prazer sexual em si, do gozo. Talvez por não entender isso, muita gente complica este mecanismo e vai parar no sadomasoquismo barato dos 50 tons de cinza, tentando encontrar esta situação de domínio que poderia ser curtida de boas, simplesmente relaxando e dando bastante, deixando que seu parceirão se aproveite dos prazeres de seu corpinho. No caso das meninas espertas e bem estudadas, muitas ficam preocupadinhas com esta obrigação de gozar ou em não fazer posições politicamente incorretas com seus cabamachos.

Se questões políticas te preocupam, cara moçoila, arrume um militante com formação prática nas boas práticas sexuais segundo Simone, e vaitimbora ser feliz. Ou, aproveita bobinha, e aprenda que homens também podem "dar" para mulheres, seguindo esta mesma lógica, simplesmente se permitindo serem dominados, usados por elas - e esta é sua chance de se vingar dos homens maldosos e machistas.

Mas acima de tudo, anota aí: "não tem nada de errado nesta modalidade, e muita gente sempre soube disso e fez assim, mesmo sem entender bem porque era bom. Hoje, as meninas já ganharam liberdade para exercer sua busca sexual pelo orgasmo perfeito. E nada mais as impede de agora retomar, também, o direito de de vez em quando, opcionalmente, simplesmente dar descuidadosamente e curtir esta sensação de se perder um pouco, sem ter de dar satisfação pra seu ninguém, além de você mesma."

"Comer" - se tem alguém pra dar, é bom que tenha alguém pra comer. Comer é algo que deve contar com a mesma despreocupação de quem resolveu dar - o foco não é fazer a parceira ou parceiro gozar, mas extrair dele todo o prazer que você puder para você mesmo, de forma bem egoísta. Nesta relação, é isso o que contraditoriamente vai dar prazer a quem está dando, ora pois. De novo, é preciso explicar que este é um jogo consentido e desejado por quem o pratica, e a relação com as modalidades mais radicais desta negociação de domínio é imediata.

Na opinião tosca deste cabassafado, com mero embasamento nas pesquisas de biopsiquiatria sexual do Instituto Who Farted, quem tem fetiche em sado-masô ou em brincadeiras de estupro precisa claramente se reconciliar com o basiquinho de comer-dar (eu disse brincadeiras, e claro que você entendeu claramente o que eu disse, se não for virgem! - não me venha fazer política com o velho WhoFa) .

"Fazer Sexo/Transar/Trepar" - agora sim, é o momento de você pegar aquela Revista Capricho e seguir o mapa do ponto G, com teorias e técnicas de estimular o clitóris e o bico do peito ao mesmo tempo, com o Kama-Sutra na mão, tomar aquele Viagra de garantia, estudar técnicas de coito via internet etc. Esta é a modalidade olímpico-artístico-esportiva do sexo, e sim, aqui é melhor que todo mundo goze, pois este é o foco. É aqui que pinto grande e bumbum durinho mostram lá seu valor.

Mesmo assim, pesquisas recentes do Instituto de Neurociências Aplicadas à Sexualidade Who Farted, indicam que este não é momento de fazer pressão, nem política, e dominar ou ser dominado pode fazer parte do pacote sem nenhum tipo de representação da sua realidade político-social, se é que você me entende. O papo aqui é sobre hormônios e sua posição enquanto animal fantasiante.

Ligue o foda-se literalmente falando, ou nada disso vai dar muito certo.

"Fazer Amor" - diferente das outras modalidades, nesta não é necessário qualquer tipo de demonstração de poder sexual. O foco neste caso deve ser o carinho que um tem pelo outro, o toque mais sutil, a troca de bons sentimentos, boas vibes. O Instituto Who Farted de Comportamento Social indica que 90% das pessoas se sentem melhor se fizerem isto com um tiquinho de cerveja ou vinho no quengo, pra ficar mais emotivo, e uma musiquinha safada pra instigar.

Uma dica importante da feminista Simone Furacão é que aqui, também, gozar é uma opção boa, desejável, mas não obrigação, pra nenhum dos lados. A lógica é que o caminho seja mais interessante do que o objetivo. Muito bom se o prazer de estar junto de alguém que você gosta e receber carinhos incríveis puder te levar a gozar múltiplas vezes, mas também se não levar dessa vez, vai na próxima, pois é acumulativo e sem desespero de direitos.

Então, ainda segundo Furacão, gozar é um direito da mulher, e jamais uma obrigação. E se quisermos igualar as coisas, vale a explicação do Instituto Who Farted de Gozações de que, para o homem, ejacular não é gozar - gozar mesmo, assim como para a mulher, é algo um tanto mais raro, enquanto ejacular nós homens conseguimos facilmente enfiando nosso falo em qualquer buraco quente, ou em poucos minutos com o uso da nossa própria mão peluda, completamente independente de qualquer outro prazer; portanto, não misture as bolas, bebê.

"Sarrar" - na sábia opinião do sexólogo Givago Sentaqui, uma das mais instigantes modalidades de sexo, por causa do jogo de esconde-esconde. Nesta pegada, não existe essa coisa de penetração, salvo, talvez, por um ou dois dedinhos maldosos. Sarrar é massa e não exige muita coisa de nenhuma das partes. Pode ser feito com roupas, ou completamente pelados, sem perder a essência.

É uma ótima alternativa pra quem quer se curtir mas não necessariamente pecar, naquele momento, por qualquer que seja a razão. O paradoxo aqui, segundo o Grupo Who Farted de Interações Sexuais, é que existe mais amor e desejo em sarrar do que em muitas trepadas que vemos por aí. Isto provavelmente se deve ao fato de que todo sarro bom precisa de um beijão bem gostoso e um toque a mais de safadeza pra dar certo, além de deixar as pessoas mais à vontade, já que ninguém está avaliando a performance de ninguém. E aqui, a princípio, vale tudo, menos pipipi no popopó.

Útil para meninas que querem guardar a virgindade, meninos que querem resguardar o rabo ou quando faltar camisinha e a treta for grande.

"Rapidinha" - é basicamente uma trepada de bolso. O instituto de Geriatria Who Farted não indica esta modalidade para homens acima dos 40, pois isso é coisa de menino encharcado de Ritalina, Viagra e testosterona sintética de academia. A rapidinha é aquela transadinha desengonçada e sem tempo pra curtir que pode acontecer na escada ou no carro, com aquela afastadinha rápida na calcinha. Mas isso, todo mundo com mais de 13 anos já sabe como se faz, né mesmo?

"Punheta" - modalidade sexual indicada aos amores não correspondidos. Cada um faz de seu jeito, dá seu jeito, do it yourself solitário, com ou sem aparelhos de pilha, filminhos e lubrificantes. Como já dizia um velho amigo do WhoFa, ainda nos tempos da escolinha... "nunca menospreze uma boa punheta, pois muitas vezes é melhor do que certas trepadas". A vantagem é que você se diverte na hora que quiser, muito parecido com jogar videogame. O mesmo vale para a siririca.

"O Sexo Profissional" - geralmente, pode ser substituído com louvor por uma boa punheta, ou uma pizza de calabresa. Mas o que pouca gente entende neste caso é que existe, sim, gente que tem prazer em pagar alguém para dar uma trepadinha, mesmo que possua inúmeras outras opções em sua própria vida pessoal e as facilidades do Tinder. Pagar é por si só um fetiche.

Fazer sexo com alguém que está recebendo para isto só será um prazer se feito desta forma, pela fantasia de comer uma profissional, ou se fizer parte de seu conjunto de crenças pessoais - porque se for pela falta de alguém que queira lhe dar ou comer, isso vai parecer algo um tanto depressivo, e pode ser trocado por uma barra de chocolate.

Transar com uma profissional é diferente de todas as outras modalidades de sexo, pois não exige nenhum esforço de sua parte para agradar a parceira, e mesmo que você tente, provavelmente ela não sentirá nenhum prazer mesmo.

É necessário um certo grau de abstração, pois você terá de se divertir praticamente sozinho, já que ficará claro que a menina não está ali se divertindo tanto quanto você, e compensa solicitar que a nobre dama da noite fique calada, sem precisar fingir aqueles horrorosos gritinhos de orgasmo de filme da Brasileirinhas.

Uma coisa importante de se entender nesta modalidade é que o interessante é que esta seja uma relação de muita clareza, pois se você começar a se relacionar com alguém que discretamente esteja contigo pelo dinheiro, sem jogar aberto, é treta grande - contrate uma profissional assumida.

Claro, estou falando tudo do ponto de vista de um cabamacho, visto que nunca me imaginei contratando um garotão malhado para me comer, mas... certamente, a descrição é muito parecida para as meninas que buscarem seus amantes profissionais.

11 agosto 2016

Contra a Maré



Tenho lido muito nestas postagens de colagens de autoajuda em redes sociais a lição de que sempre devemos apostar numa pegação que seja simples e fácil, que seja abertamente correspondida e sem ruídos.

Eu continuo indo pelo caminho menos indicado.

Percebo que tenho minhas próprias teorias sobre isto desde sempre, assim de forma meio instintiva, inconsciente. Sou muito ruim de fazer tipinho. Sempre que leio coisas deste tipo, ou considero técnicas safadas de sedução para moleques espinhentos tais como fingir desinteresse para gerar valor, noto que estas teorias são válidas apenas em situações onde a pressa faz parte dos objetivos - principalmente, a pressa de ir embora buscar a próxima, ou o próximo, depois dessa aí que você tá querendo, então tudo precisa ser rápido e sem complicação.

Eu sempre fui do tipo que quando se interessa por estas meninas complicadinhas, mimadas da vida, acredita que é melhor não esconder o que quer desde o começo, e não se importa de ser cozinhado por longos períodos, se o resultado desta trama de novela mexicana puder ser coisa boa de se ter.

Minha teoria tem lá seus fundamentos.

Todo mundo joga, todo mundo conhece técnicas de fazer ciúmes para instigar o sentimento de perda no outro. Tanto homens, quanto mulheres, hoje em dia, são especialistas nestas receitas de sedução fast food. Ser fera no assunto já é até meio padrão, assim como ter tatuagem e fumar maconha - nada disso te faz mais esperto aos olhos de ninguém com mais de dois neurônios, hoje em dia.

De fato, se você simplesmente se mostrar da forma que é e parar de esconder seus sentimentos e interesses, se você tiver suficiente autoestima para gastar e aguentar as tormentas e umas pisadas maldosas em sua cabeça, o que vem depois é a perfeita calmaria, é o desarme.

Mas isso é jogo de gente grande. Tem de ter nervos de aço.

Sim, todo mundo joga, mas não joga pra sempre. Quando se fogem das situações sociais, e ninguém mais precisa manter a fama de mal pra amigos de seu ninguém, as pessoas na verdade gostam de saber que existe quem se interessa de verdade por elas, e certamente baixam a guarda a seu tempo, agem como pessoas normais e destemidas, vão cutucar essa onça pra ver o que tem de bom ali pra elas.

Em outras palavras, quando alguém sente o chão firme pela frente, pode dar suas sambadinhas, mas eventualmente vai perceber que é seguro ir em frente, sem medo de cair e se machucar.

É por isso que ando nessa fase melosa, meio emo, meio homem sensível e maduro dos anos dois mil, piloto de comercial de carro de luxo, aqui no WhoFa. É o que tem acontecido na minha vida real, apesar de toda a minha ograbilidade.

Como disse um amigo na cervejada da última Sexta: quando chegamos a certa idade, já aprendemos que nenhuma rejeição nos derrubaria por mais tempo do que duas dormidas chorosas e uma garrafa de cachaça ou duas grades de cerveja artesanal, e isso podemos aguentar a esta altura - então não existe pra que ter medo de se foder com mais nada que se refira a meninas bonitas e suas maldadezinhas sinceras.

É assim que tem sido. Quando é amor eu assumo, e quando acaba o amor ou a paciência,  eu aviso também.

Por enquanto, sem comer ninguém, usando esta fórmula - mas há males que vêm pra bem.

Eu não sou bobo não, só tô de boa.

29 julho 2016

Who Farted? - O Livro - Para Download


(PDF - ideal para desktop e laptop)

(Ideal para celulares e tablets)

Pronto! Agora é oficial. Lançadas as versões em formato PDF e EPUB do livro que compila textos que eu gosto bastante, extraídos dos 10 anos deste blog, sobre meus relacionamentos fuleiros, filosofia de boteco sobre a existência, minha visão das meninas que me cercam, e minha nada mole vida pessoal. São pouco mais de 100 páginas com textos de todas as fases do velho WhoFa, devidamente revisadas e montadas de maneira a fazer algum sentido como um livro, ou quase isso - um bom leitor não gastará mais de uma horinha para ler tudinho, tudinho.

Confesso que estou muito feliz com o resultado, e ficarei contente se todos baixarem e separarem um tempinho, para ler. Mas curtam "as is", sem expectativas de genialidade, pois é, como eu disse, uma compilação de postagens de blog ao estilo redes sociais.

Contei com a ajuda dos amigos, para avaliar as escolhas, que me deram bons feedbacks para a finalização, e desde já agradeço.

Assim como o próprio Who Farted, este livro será apenas discretamente divulgado por mim, jamais alardeado aos quatro ventos, mas não na intenção de mantê-lo secreto, e apenas por não se tratar de uma prioridade deste autor torná-lo famoso. Contudo, ficarei imensamente feliz se meus poucos seguidores o espalharem entre seus amigos, compartilharem, e aquela frescura toda - e se desta forma chegarmos a milhares de leitores, ficarei ainda mais contente, pois será sinal de que existe algo bacana extraído desta brincadeira toda.

Inicialmente, vou postar apenas via Google Drive, para que me facilite fazer ainda mínimas correções e revisões que possam surgir. Para acessar, utilize o link abaixo, e poderá visualizar online (apenas no caso do PDF) ou salvar sua cópia no seu computador, sem dificuldade, nem anúncios, nem captchas, utilizando o ícone de download no alto da página do PDF, ou o botão de download direto, no caso do EPUB. Caso tenham dificuldades com esta operação, agradeço feedbacks através dos comentários do blog ou pelo Facebook em fb.me/wfarted (aproveite para curtir também a página no Facebook e acompanhar as novidades, novos textos etc)

Rico de Moraes


OBS.: A versão PDF é boa para desktops e laptops, assim como para quem prefere imprimir. A versão EPUB é adequada para leitura em celulares e tablets.

27 julho 2016

Era Só Amor


"Não daria pra simplesmente encostar na parede e roubar aquele beijo como tu sempre fazia, seu bobão?' - ô se dava... já deu demais... e até mais.

Às vezes, acontece essa coisa, essa fuga, de eu ficar tentando definir a fonte, imaginando nomes e rótulos, para um sentimento que fica pentelhando minha inquietude dia e noite, nesta vontade de puxar assunto, e reviver em conversas corriqueiras aqueles pequenos momentos que definem as razões de se amar alguém.

É abstinência de "xêro no cangote".

Não há mistérios. Quem não sabe? - dá pra saber fácil, quando você passa daquele desejo primal de comer alguém, e entra naquele estágio em que simplesmente levar pra jantar e falar sobre o tempo já te dá mais prazer ainda, ou quer tirar sua roupa só para enchê-la de beijos e mordidas safadas, enquanto assiste TV comendo pipoca. A certa altura da vida, não dá mais pra se enganar com estas diferenças.

E quem me vê passar, pergunta displiscentemente a todo tempo,"e aí, tá comendo?" - relaxe seu coraçãozinho, deixa dessa inveja branca, pois se estivesse eu não te diria.

Afinal, este é o Who Farted, e por aqui, nunca comi ninguém mesmo.

Na atual realidade do universo sentimental, pode ser um tanto desafiador e decepcionante querer chamar atenção para algo especial, vindo de você, de suas percepções da vida, das ligações perigosas que o desejo usa para te engambelar, destas intuições, dessa vontade de raptar alguém e trancar no seu quarto à beira-mar sem comunicação com o mundo externo para sempre, só pra ficar beijando o cangote.

Errado estou eu, portanto, que devia parar de tanta frescura, me agarrar ao Tinder e viver uma suada crise de meia-idade - quem, hoje em dia, quer mais levar qualquer tipo de sentimento a sério? Capriche na  foto do pinto, e bota pra gerar nos nudes sensuais.

Mas onde parei mesmo? - ah, me esqueci que estou me tornando um velho babão.

Sim, é amor, e do melhor tipo, o discretamente correspondido. Do tipo que, hoje em dia, ninguém mais bota pilha. Estou, não faz muito tempo, perdendo o medo de considerar esta palavra, este conceito, como algo comum, que não tem problema nenhum em existir. E já tentei tantas teorias sobre este caso, que a esta altura, foi mesmo a possibilidade mais concreta e controversa. É só amor. Sente logo essa porra e pronto.

O irracional tem de ser sentido sem as interferências das razões.

Só que o ruído é grande, os tempos são outros. O meu tempo, o tempo dela. É treta - adoro tretas, já falei?

É, caro leitor, você está certo. Quanto mais eu envelheço, mais besta eu fico, e mais eu perco por não curtir as coisas como são, nestes tempos desalmados. Estou começando um período de ranzinzice e saudosismo dos amores sem telefone em casa, sem internet, sem celular.

Abro minha cerveja, abro meu mundo, e borassimbora para as novas e inesperadas aventuras do grande love gambler.

A maturidade te traz pelo menos três vantagens no campo sentimental: tranquilidade na cama, serenidade para assumir seus sentimentos mais tolos, habilidade de perceber a hora certa de dar linha.

Foi massa - um dia, a gente se vê com mais cerveja no quengo pra azeitar essa tua vida que de tanta movimentação, ficou travada, congestionada.

24 julho 2016

O Foda-se Racional


Racionalizar sentimentos é chato. Toda a magia se perde num lapso temporal. Mas é um movimento que tem lá sua serventia. É uma pausa para organizar a mente e o coração. Você se sente numa daquelas novelas chatas para mulheres modernas, discutindo com você mesmo sobre o valor positivo ou negativo de uma relação, sobre os prós e os contras do desenrolar da merda toda, toma decisões maduras sobre o melhor para sua vida, sobre o que você quer evitar.

Inclusive, escrever este blog é chato pra cacete, nestas horas.

Todos queremos evitar poblemas. Você se afasta de problemas, eu me afasto das tretas e todos nós queremos distância da tal dor de cotovelo de um amor que possa te ferrar. Possíveis paixões enganchadas que surgem fora de seus planos estão na lista de indesejáveis aperreios.

Daí, você toma umas a mais e, sem tanto controle, acessa todas aquelas emoções guardadas de forma visceral, sem filtros, sem resoluções de natal, sem metas para final de ano - você simplesmente sente o que estava ali de verdade, enterrado à força num cantinho do peito, pela praticidade da vida cotidiana, pelo que deveria ser o certo a fazer, fala o que não queria falar, se permite o que não queria se permitir.

Mas não, eu não estou falando de mim - acredite.

Acho que nunca fui destes. Sempre gostei das tretas. São as melhores coisas que podemos viver na vida sentimental, sempre. Gosto destes rolos que sugerem grandes mudanças na sua vida ou na de quem rouba sua atenção.

Foram muitas as vezes em que me vi preso numa destas pequenas insanidades que se estendem por longos períodos de platonismo mútuo, para um dia chegar a se tornar algo indescritível, único. Foram estes amores os que guardei com mais carinho na memória.

Sim, "amores". Porque "relação" é coisa de blog chato de mimis sentimentais, tipo esse Who Farted metido a sabidão.

Estes sentimentos misteriosos que vão crescendo devagarzinho, imperceptivelmente, são o exato oposto daquele beijo roubado numa noite mal dormida. Você começa a pensar naquela pessoa em momentos inesperados do dia, por razões fúteis, e quando nem esperava por isso, ou ate rejeitava  a ideia, começa a ter saudades, começa a querer que a outra pessoa esteja com você em situações banais tais como comprando alface.

Aí sim, tá certo. Quando você tira a roupa de uma pessoa destas na sua cama, as coisas funcionam como deveriam -  digo, aquela esperada explosão de sentimentos, carinhos, vontades.

Mas, calma. A única loucura grande que fizemos foi nos permitir minutos de sinceridade, coração aberto e destemido após uma cachaça, sem machucar nem atingir quase ninguém. E acredite que, hoje em dia, minutos de sinceridade são de uma importância incomensurável. É quase sexo selvagem.

Nem mesmo eu sei o que eu quero de verdade - só sei que não saio dessa sem saber, só sei que tem importância sim, seja lá qual for.

Sou meio paranoico por ainda acreditar que boas coisas acontecem nas vidas de cada um de nós. E depois de ver tantas outras boas roubadas passarem pela minha vida como uma marca de melancolia, por não terem sido vividas como deveriam, eu digo que esta só se esgotará em seu fim natural.

Que se foda. E isso é uma decisão racional.

O Superman está levando a Lois Lane pra voar - se cair, caiu. (te fode)

12 junho 2016

O Dia das Namoradas


Ao contrário das minhas piadinhas irônicas sinceras de sempre, este ano, em meu post clássico do Dia dos Namorados, vou reforçar que admiro quem namora, gosto de quando sou namorado, e sim, sempre que chegamos a esta data, quando estou sozinho, como todos, tenho dois sentimentos recorrentes: uma certa melancolia por não ter talento para este expediente e um alívio pelos gastos a menos numa época em que geralmente estou liso e mal pago, graças às minhas profissões malucas.

Sempre fui um romântico incurável, que na falta da coisa real, se deleita com suas mil virgens.

Como romântico safado que acabo de dizer que sou, não posso me contentar em fingir pra mim mesmo que amo por medo da solidão, por qualquer carência enrolada. E se amo, jamais me contentaria com quem estivesse comigo sem sentir exatamente o mesmo. Sou absolutamente avesso à conveniência social de se andar em casal. Pra mim, é fogo ou água.

Apesar de gostar de namorar, sempre assumi meu total deslocamento de todo este ritual, em seu formato mais comum. Talvez por isso, que me lembre, eu tenha tido na vida apenas duas namoradas que tenham durado mais que poucos dias, e um casamento de pouco menos de cinco anos. O resto foi só rolo.

Do formato típico do namorado perfeito, tenho muito pouco, ou nada. Não sou uma destas figuras com carrinho financiado, camisa social dobradinha até o cotovelo, perfume contratipo, comedor de Sushi. Sou da pizza, da camiseta, bermudão e chinelo.

Sim, esta lista de qualidades, apenas por coincidência do amor, faz parte na maioria das vezes do perfil do príncipe consorte das "princesas de namoro".

Se existem exceções? Claro! A maioria dos verdadeiros amores fogem às necessidades estéticas de combinações, já que namorado não é bolsa de grife.

Generalizações e ironias malvadas à parte, grande parte do martírio a que faço minhas meninas passarem são quase intencionais. Eu gosto de mimar, mas não com estes artifícios. As trato como iguais, sendo que meninas lindas, desejáveis e beijinháveis.

Não me importo em dividir a conta, não gosto de ser forçado a frequentar festas familiares, mas adoro ter longas conversas na cama, ouvindo música ou vendo TV.

Sempre que vejo a cultura do ter alguém pela necessidade de ter alguém, sou obrigado a dizer que quando isso acontece as pessoas estão perdendo a chance de conhecer pessoas que poderiam ser realmente importantes.

Muitas vezes, aliás, estão perdendo a chance de conhecer até mesmo a que está a seu lado, que poderia se tornar apaixonante, já que em grande parte destes casos a pessoa "amada" é uma espécie de ponto de espera, que fica ali como base sentimental, uma amizade acelerada, sem aquela necessidade extrema de estar perto, comendo Sushi antes das dez, para a outra parte se apoiar enquanto continua à procura em flertes e ficadas do outro lado da cerca.

Secretamente, chamo este de "o dia das namoradas", já que é sempre muito mais honesto amar várias meninas que me encontram em poucos momentos no ano de coração aberto do que estar com alguém por conveniência sentimental.

Se eu pudesse, daria um presente a cada uma. Mas para não ser infame nem injusto, naturalmente não posso.

Fica meu conselho a todos os Whofarteders: aprendam a receber o amor de quem quer te oferecer, considerem, tentem retribuir. E se não conseguir, se não der clique, não fiquem por perto, e ofereçam seu amor a outros. E se não forem retribuídos, recolham de volta. Mas só se casem, só namorem, só se apaixonem por quem demonstrar que quer lhe oferecer o mesmo. Só deem match quando for impossível estar longe apenas daquela pessoa. Pois, enquanto para sanar a saudade de uma, encontrar outra servir, é muito mais saudável, divertido, honesto e prazeroso namorar todo mundo, seguindo os passos do Wesley Safadão.

Se tem alguém que eu gostaria de namorar? Certamente, talvez não de maneira convencional, mas sempre tem, nunca deixa de ter, e sempre sigo os meus conselhos pra mim mesmo, pois nada disso se pede, de quem quer que seja. Isto se conquista, ou não.

Passar alguns sábados sozinho e os dias 12 vendo TV, ou dando um passeio massa, a gente tira de letra. O que não pode é forçar barra.

Que tenhamos todos apenas um namoro na vida, se for o caso, mas que seja verdadeiro no presente, nas lembranças e nos planos futuros.

Ano que vem, falo de novo sobre isso.

05 junho 2016

O Óbvio dos Dias Comuns




Quando eu achava que você me lia
Eu escrevia tudo que eu não dizia.
Às vezes nas entrelinhas da minha inexpressão,
Por vezes, em palavras claras para avisar que já chego.

É claro que eu sempre soube ler nas suas entrelinhas.

16 maio 2016

O Blues Daquele Beijo


Um beijo muda tudo. Mande flores, faça malabarismos, escreva seus poemas, e tudo será apenas uma abordagem sutil e passível de "sims" e "nãos", sem um beijo. Um ósculo de língua safada bem dado e agarrado de jeito, contudo, abre uma passagem secreta para a falta de discernimento capaz de gerar casamentos e filhos sem muita conversa preliminar.

Mas falemos agora de um paradoxo. Este mesmo beijo que muda tudo passa por uma fase de certo descrédito, já que beijar não demonstra mais amor, mas uma conexão efêmera que pode acontecer várias vezes numa mesma noite com pessoas diferentes, não por motivos afetivos, mas de afago ao ego.

Disso, estou farto, cansado, esgotado.

E o que se faz, afinal, com este beijo que é ao mesmo tempo solução e dissolução?

Ah, você quer mesmo falar daquele beijo? Posso estar errado, e posso perder muito mais do que ganhar com isso. O risco é sempre grande, com tanta rapinagem por aí, mas tenho concluído que o antídoto que pode superar esta hiperatividade amorosa que assola os corações modernos é justamente forçar tudo a caminhar muito mais lento, como nos tempos do The Platters. É não entornar o copo, mas reaprender a saborear. É voltar aos tempos da namoradinha com "xêro" no cangote e mãos dadas passeando na praça.

Se alguém tiver um valor diferenciado para mim, prefiro guardar os beijos para depois, mesmo que com isso eu abra caminho para outros afoitos, tanto quanto eu mesmo talvez tropece em outros beijos no caminho - se eu lhe beijei após a segunda olhada, portanto, classifique aquele momento como minha própria dose de afago ao meu ego de macho alfanumérico, minhas necessidades e carências de cabassafado solteiro e malvado que não tem ninguém, e vive ouvindo "eu te amos" de quem não está nem perto.

Um beijo escorregado pode sim ser um passo para o infinito, mas não o garante mais por si só. Se queres me agarrar  de verdade, com unhas e dentes, com chave do coxas e tudo mais, arranque de mim um beijo depois de me conhecer de perto, de trocar afagos e de ter raivas de mim - são suas raivas de mim que poderão te garantir estar fazendo a coisa certa. Nunca fui santo, nunca tive santas.

Então, guarde o Blues daquele beijo, babe, guarde estas saudades, pois para seu azar sou um tolo que ainda persegue lentamente o invisível, o intangível, o improvável, o sim por trás de tantos "nãos", pelo menos por agora, enquanto eu acreditar na minha insanidade - gostei dessa frase, taí...

E eu sei que por trás de toda essa minha confusão, minha intuição prevalece nonsense e lunática.

Tentar me entender é gastar os ponteiros do seu relógio à toa.

28 abril 2016

Os Amores Silenciosos


Se eu mesmo me perguntar quem eu amo, como se sempre amássemos alguém, provavelmente terei respostas bastante diferentes a cada vez que o fizer, mesmo se fizer isto várias vezes num mesmo dia. Talvez, eu esteja certo em pensar que outras pessoas passem pelo mesmo problema que eu.

O corpo e a mente têm essa mania de jogar para outros o seu ideal de felicidade, provavelmente porque busquemos na aprovação do outro a nossa própria fé no que somos. E afinal, de que mesmo adiantaria se achar a pessoa mais sensacional do mundo se não fosse para conquistar e gostar de outras?

Apesar de meu cinismo ranzinza e momentos de pegação, sou um cara romântico sempre que posso. Um cara que quer coisas boas. Me entrego facilmente sempre que tenho chance, e sem motivos indiscutíveis para isto. Me torno um cara bobo e não consigo esconder meu fascínio por estes sentimentos que as meninas conseguem extrair de mim, vez por outra.

Nessas horas, não sou aquele cara esperto e safo que as garotinhas adoram.

As pessoas têm muito medo disso de ser romântico, pois existe uma tendência a se rir do romantismo, das atitudes legais em direção a alguém, da entrega sem expectativas. Falar de carências, então, é quase que uma atitude reprovável, como se a pessoa carente de afeto fosse alguém de má índole - o bonito é fingir ser frio e pouco valorizar as relações e depois reclamar que não tem ninguém, o bonito é fugir de quem te trata com prioridade.

Tolice. Só eu sei o quanto eu já fui consolo de gente moderna que chora que nem porco no matadouro quando perde alguém cuja relação que existia entre ambos nem nome certo tinha.

Estava refletindo sobre isso após uma cerveja que tomei com uma menina linda no último feriado.

"- Homem é muito besta. Vê uma festa com mulher, vai até lá e fica pagando bebida pra ela achando que vai comer" - ela comentou, já um tanto alterada.

A questão que guardei pra mim foi que, se neste exemplo o homem for realmente besta, qual o papel da mulher nesta relação? Pense bem... Boa coisa não há de ser.

Eu mesmo, quando dou presentes a uma mulher, ou pago jantares e bebidas para ela, certamente não estou sendo besta. É simplesmente uma forma de carinho que não me garante conquistá-la, tampouco a força a me querer. Vejo isto como uma forma sutil de fazê-la se lembrar de mim de uma maneira boa. E certamente, não o faço tentando provar poder financeiro. Nada do que eu faça chega nem perto do meu poder financeiro - e não estou dizendo que sou rico, pois não sou. É realmente incondicional.

Seria isso prova de amor, então?

Hmmm neste caso, devemos voltar ao começo do texto. Talvez eu ame incondicionalmente, por exemplo, a menina que citei neste texto, por alguns momentos do meu dia. E certamente, ela também me ama em piscadas mal planejadas de seu coração. Mas é notório que também amo outras meninas no decorrer do mesmo dia, e ela também - sim, ela também.

Mas se um dia a gente achasse que se ama no mesmo momento do dia e eu lhe desse um desses beijos astronômicos que gosto de dar em momentos sublimes como este, bem... Seria no mínimo curioso.

Mas não me interprete mal. Se essa, ou aquela outra, ou (eita) aquela que eu já quase me esquecia, me dá uma fria, demonstra descaso, prefere outro, eu vou ali comer uma pizza, e estamos acertados e prontos para o próximo capítulo.

Amor é algo que existe assim, fácil - não se espante com o que eu digo. O que falta geralmente é coragem de se comprometer com este ou aquele amor, ou aquele outro, e aquele outro. Somos todos meio poliamorosos por condição de nossa humanidade, até o dia em que algum nos pega pra valer.

É estranho perceber que, neste furacão de amores, geralmente vamos nos abrigar debaixo das asas de um amor preguiçoso, tranquilo e de menor intensidade, que não nos machuque e não nos exponha demasiadamente na vida.

É o medo. Sempre ele.

Pessoas, também, estão em eterna metamorfose, apesar de nunca mudarem completamente - são as facetas escondidas em cada um que surgem e desaparecem da pele com o passar dos anos e experiências. E tem dias que vc pode se ver encantado por alguém que ainda não existe, tanto quanto pode ter saudades de alguém que não existe mais.

Amor é complexo. Mas é certo que começa pequeno e sem muita graça, e vai te tomando se for alimentado, se não for tosado a cada vez que se sente a pontada no peito.

Hoje, sou um tanto pragmático com esses amores não falados. Quando pesco um pra mim, ponho em forno baixo e vejo no que estou me metendo, rego até onde posso, provoco até o limite de ser chato e monótono. Hoje em dia, investir num amor, mesmo um pequeno, recém plantado, se é de futuro promissor, é movimento de alto risco, é entregar de mais à confiança de alguém.

E quando se encontra essa semente em alguém cheio de tantos medos, mais medo ainda tenho eu. Não medo de parecer tolo, pois isso parecerei mesmo que nunca ame de novo, mas aquele medo que o Super-Homem tem quando puxa a namorada pra voar.

22 março 2016

Discurso de Louco



De uma conversa real em um Sábado à tarde qualquer:


Eu não estou apaixonado por você
Mas gostaria de estar
Estou querendo estar
Não preciso me esforçar para estar

E se um dia eu tentar te beijar
Se eu fosse você deixava
E via o que seria só pra ver a merda que ia dar
Largava esse medinho pra lá.

E se no outro dia você se arrepender
Se eu fosse você não ligaria de ver direitinho isso aí
Pois certamente eu, começando do zero, faria de novo

E se um dia você me perceber desistindo
Eu, sendo você, não deixaria - punha logo o batom vermelho
Me derreteria a meu lado
Pois sabe-se lá destas coisas, o que são...
Não se deixam passar assim
Não que você se apaixone, mas vai que...

É discurso de louco.


16 março 2016

Signos e Flertes


 Acompanhando minha recente atualização com os apps da moda, incluindo os Tinders da vida, acabei me impondo uma nova meta, de conhecer e flertar com mais meninas do que o meu usual, pois sou preguiçoso que só neste quesito também, para ver se consigo comer alguém - ou pelo menos casar, ter filhos, dois cachorros e uma piscina.

Pelos últimos anos tenho me visto na mesma crise em que tantas outras pessoas estão e descrevem como "o povo não quer mais nada com ninguém".

Baseado em minhas recentes pesquisas pelo instituto Who Farted, o problema consiste em pecar pelo excesso de opções apenas pelo excesso.

Da mesma forma como transferimos nossos relógios, agendas e despertadores para dentro dos celulares, nos acostumamos a jogar nossa vida amorosa para lá também, em conversas toscas de Whatsapp após uma pescaria fast food nos tais Tinders.

O que muita gente identifica como saudável, o tal hábito de se manter trinta conversas sobre sexo ao mesmo tempo, para no final eleger apenas uma, que provavelmente não vai lhe eleger de volta, e acabar encontrando pessoalmente apenas aquela outra que nem tava na primeira lista, está nos matando a todos.

Reforço que estamos desaprendendo a flertar e principalmente a desenganchar do flerte para algo mais sério, ou não, sem a ajuda de uma janela de bate-papo, onde justamente, o texto incomoda.

Não que eu goste de discutir a relação. Mas o que estamos enfrentando agora é algo astronomicamente pior. A completa rejeição ao diálogo, contraditório se temos excesso de sexo falado.

Ou, passe horas conversando com uma menina que se derrete a seu lado em olhares promíscuos e frases em tons suaves de voz, e se não houver sexo, se não houver apenas um beijo de língua, todo seu trabalho se perderá na nuvem, nem tente se referir a este momento como algo romântico em suas memórias, pois a outra pessoa negará até a morte que se tratava disto. Situação cada vez mais comum, hoje em dia.

Tudo precisa ser subliminar, jamais citado, jamais encarado de frente, ou reconhecido em palavras, enquanto fora de um bate-papo. Definir estas coisas em palavras, mesmo curtas e coloquiais, se tornou sujo e anti-heróico.

Não foi uma nem duas, talvez mais de cinco ou seis ou dez, vezes em que após passar noites de pleno flerte com meninas que falavam rente à minha boca, fui escanteado com um "puxa, amigo, veja bem, não é bem isso" quando tentei buscar esta lembrança em palavras.

Namorar? Não, hoje temos um "não sei bem o que ainda". Vocês ficaram? Não, "rolou um lance sem nome".

Em outras palavras, por falar nelas, ninguém mais precisa se comprometer minimamente, e a melhor maneira de se começar um relacionamento é apenas agir e pouco falar, pouco expressar, e depois deixar passar.

Mas agora, falemos da parte boa, a grande maioria das meninas que me escanteou com um "não me comprometa com suas lembranças e percepções" simplesmente acabou me dando pelo menos beijo na boca, o que em tempos atrás já foi considerado amor. Ou seja, pare de ler o que estas loucas escrevem em sua janela de bate-papo, ou você vai achar que também está ficando doido.

Tentei pesquisar sobre as características de cada mulher, entender de signos, mas analisando rapidamente, concluo que todas as mulheres têm o mesmo signo, pois todas agem muito igual.

E eu tenho este hábito louco e ultrapassado de tentar escrever, explicar, tentar resolver os momentos com textos que crescem e crescem.

Não, você não está louco, este texto está realmente "banda voou", como pensamentos à beira-mar de Olinda, numa manhã chuvosa.

Mas voltando ao assunto inicial, minha missão, aquela de conhecer mais meninas, tem sido cumprida aos trancos e barrancos, mas sem me trazer de volta aos momentos de pegação experimental dos vinte e poucos anos. O projeto é mesmo sério, não é uma piada do blog, mas o foco é privilegiar mesmo minha lentidão, minha observação, deixar mesmo passar os sentimentos verdadeiros e as bundinhas de cima.

Se chama "Projeto Né Possível Que Num Tenha Ninguém Que Pense Como Eu"

Pra mim, agora, é a busca do excesso pelo refinamento do resultado, e não pelo aumento da ação.

E nem é tanto excesso assim.

E vejam como sou corajoso... Sem aplicativos, para estes fins.

03 março 2016

Crônicas Malvadas do Tinder



Tenho essa preguiça de acompanhar novidades da Internet. Mas neste mês, fazendo um bem à minha própria necessidade profissional, tirei algum tempo para me atualizar e incorporar à minha vida todos estes aplicativos presentes nos melhores smartphones da cidade. Agora, tenho Whatsapp, Google+, GPSs, joguinhos e (porque não?) os mais populares apps de paquera do momento. Badoo e Orku... ops... Tinder, Happn, Kickoff, Down e outras quinquilharias românticas.

No começo, me senti um pouco constrangido de colocar meu perfil nestes sites e parecer como se estivesse desesperadamente procurando uma mulher com uma boca linda pra beijar, mas depois de ver dezenas de perfis com textos quase contundentes de meninas se declarando "apenas à procura de novas amizades", em sites que abertamente têm como proposta gerar encontros casuais, e geralmente sexuais, notei que idiota seria eu se fizesse o mesmo. 

Eu não consigo conceber porque cargas d'água uma menina que não quer fazer sexo vai ter um perfil no Tinder.

Quanto a mim, afinal, não estou comendo ninguém mesmo e não serei eu a me opor se alguma bela ninfeta de fotos sensuais quiser dar pra mim.  Agora, fazer amizade pelo Tinder? Amizade a gente faz pelo Facebook, e olhe lá - e foi esse papo aí sobre amizade e Facebook que entrou no meu perfil, pra quem quiser dar like já vir logo quente na intenção, oras.

Se eu te quero e tu me queres, problema resolvido, babe - só que não.

A verdade é que não adianta se iludir acreditando que você vai conhecer dezenas de mulheres bonitas querendo te dar. Pelo menos, não jogando honestamente, digo logo. Estar no Tinder ou outro aplicativo semelhante não é muito diferente de estar numa rave descolada cheia de garotões sarados sem camisa e ninfetonas tatuadas de óculos da Chilli Beans.

Todas as meninas, bonitas ou feias, vão dar "like" para os mesmos caras, e todos os caras vão dar "likes" para as mesmas meninas. E aí, torça por aquela rara exceção.

Para aqueles que não têm um perfil imediatamente atrativo, não sobram likes. A diferença é que, numa festa boa, depois que os principais saradões e moderninhos fofos já foram conquistados, você fica com as rebarbas carentes e bêbadas pra se apaixonar, e no aplicativo você não tem muita noção do mundo lá fora, se não entender um pouco de programação de computadores e algoritmos para desvendar o que acontece ali no The Matrix do sexo selvagem casual- sim, eu sou programador de linguagens de computador, acredite, e expert em sexo selvagem casual, muuito casual.

Entenda que um dos principais motivos do sucesso destes aplicativos é o fato de que vc vai ver muitos perfis de pessoas extremamente bonitas, se oferecendo pra quem quiser pegar, sem necessidade de você pagar mico se expondo pessoalmente. Sim, você pode correr seu risco ali, anonimamente, e a menina só vai saber se também te achar uma pessoa bibita de coração e alma - vai sonhando.

Pois bem. Lembra que nos velhos sites de namoro a maioria dos perfis era de gente extremamente saída dos infernos? Para onde vão estes perfis feios nos Tinders da vida? Eu te digo: para debaixo do tapete.

É nítido para quem pensar um pouco que os Tinders avaliam seu perfil pelo número de likes que recebe e pelo tipo de perfil que dá likes neles, e fatalmente utilizará os perfis mais populares como vitrine, colocando eles na frente, para conquistar os novos usuários.

Uma coisa que notei em todos estes aplicativos é que vc recebe um bom grupo de gente bonita em sequência, e depois, lá pelo finalzão, um grupo seguido de gente misteriosa.

Se seu perfil estiver classificado como "gente misteriosa" vai aparecer já no final para outras pessoas bonitas, incluindo aquelas para quem você ofereceu seu "like". Ele vai ter menor prioridade na fila, sacou? E aí, pense bem. Uma pessoa bonita vai naturalmente já receber mais de um "match" logo nos primeiros 5 perfis mostrados, que também fazem parte deste seleto grupo prioritário, vai se concentrar neles, e nem vai chegar a ver o seu perfilzinho de gente normal.

O resultado disto, naturalmente, é que se você for um garotão bonito e malhado, destes que já tão cheios de meninas perseguindo na rua e nos bares, você vai receber dezenas e até centenas de "matches" de uma vez só, enquanto o pobrezinho do Didi Mocó geralmente não vai ser nem visto por este povo bonito.

Mas, por outro lado, também notei que em dado momento, estes apps fazem o cruzamento de aborígenes e começa a mostrar os perfis sem apelo sexual uns para os outros, para ver se algum ogro se agarra com alguma jacarôa e deixa o povo bonito em paz, e nisto, possivelmente, ele tem algum sucesso. Mas não se empolgue, eu disse "algum" sucesso.

Meu perfil, naturalmente, mesmo com toda a minha beleza física e psíquica, foi rapidamente marcado como aborígene baleia macho. A minha dica de expert em algoritmos neste caso, não para resolver, mas para dar uma aliviada nesta marcação, é você ampliar nas configurações os seus interesses para pessoas mais velhas e mais longe, e ver se consegue mais likes, já que mesmo que você os receba, não precisa dar de volta - se liga nas malícia.

Esta dica, inclusive, é dada, mesmo que velando suas razões, pelo próprio Tinder.

Contudo, é bom lembrar que não importa o quanto você possa ser lindão e sedutor, se estamos falando numa escala de milhares de usuários na sua região, os likes que você está procurando vão se concentrar em pouquíssimas pessoas no Olimpo da beleza de academia, salvo se você for um destes que vai mandar fazer uma foto sua toda corrigida no Photoshop pra enganar as donzelas e depois tentar ganhar no papo - grande lógica de invertebrado, esta, já que a única coisa boa destes aplicativos é mesmo agilizar o processo de conhecer alguém que goste da sua aparência física, saltando um dos processos da conquista.

Qual a solução que os aplicativos encontraram para forçar seu perfil a ser mostrado a uma pessoa bonitona que fez seu coração bater e tentar conseguir um "match" pra você? Pelo menos o Tinder e o Happn possuem opções de você dar um "superlike" ou um "charme" a esta pessoa, por opção sua, e pagando por isto, para mostrar seu interesse especial naquele caso. Mas aí, sua identidade e interesse serão revelados abertamente ao outro usuário para lhe corresponder, ou não, e você poderá sofrer escárnio público entre as amigas de banheiro da menina - ui, que medo.

Não sei se isso muda alguma coisa de você simplesmente adicionar alguém bonito no Facebook e começar uma conversa, mas pelo menos estamos no pressuposto de que as pessoas estão ali para se agarrar mesmo, e que se a outra não estiver a fim ela vai simplesmente dar um "sai fora virtual" que não atinge ninguém, nem quebrará o coração de ninguém.

Outra coisa que me chamou atenção é o fato de que estar num destes Tinders é como pedir comida no fast food, e não me refiro apenas à forma mercadológica de escolher pessoas num cardápio, mas também pelo fato de que o que vc vai comer tem muito pouca semelhança com o que você viu na ilustração - e não adianta ficar sonhando com o Big Mac da foto, brodinho.

Aliás, não entendo qual a graça em atrair uma pessoa para seu perfil, com fotos que não te representam, reforço.

Uma das primeiras coisas que fiz no meu perfil foi tratar de por uma foto que me mostre como um simpático tiozão roqueiro gordinho logo na segunda foto, para evitar ilusões e corações partidos.

Outra lenda em que se acredita antes de começar o jogo é a de que no momento em que alguém gostar de suas fotos, vai ser só marcar um encontro e sair beijando. Mas que porra nenhuma. São poucas as que se quer respondem à sua conversa no chat que se abre. E isto, claro, se deve ao fato de que, como eu disse antes, as pessoas bonitas recebem muitos "matches", e acabam ignorando grande parte deles.

A grande pergunta que fica ecoando em sua cabeça neste momento deve ser "- Eaí? Comeu alguém?".

Claro que não! Se eu comesse, perderia a graça de escrever aqui.

Mas vou lhe dar umas dicas massa para fazer destes aplicativos seus aliados: não leve a sério demais, seja honesto em suas fotos, ser honesto não significa pegar seu pior ângulo de cuecas no banheiro mostrando o bucho, ponha fotos bonitas e realistas, não escreva muita abobrinha no perfil, escreva no perfil fatos relevantes para um encontro amoroso tais como "sou gordo" ou "tenho 1,50mts de altura" ou "apesar de não aparecer nas fotos tenho um pinto biônico", quando encontrar alguém que realmente valha e pareça ser alguém que se interessaria por você utilize os recursos de "superlike"(Tinder) e "charme"(Happn) ou você terá chance de nem ser mostrado à menina.

Outra dica master: não caia nesta merda de "baixar seu padrão de expectativa". Os Tinders são como uma loteria. Aposte na exceção de encontrar a gata dos seu sonhos, ou o gato. Gente normal, você conhece no play do seu prédio.

E qual dos apps eu indico?

Pelo menos no Brasil, neste momento, os mais populares devem ser o Tinder em primeiro na geralzona e o Happn pro povo mais fresquinho. A maior parte do agito está nestes.

Particularmente, achei mais legal o Happn, pois este salva em sua timeline os perfis que você gostou, o que te dá a chance de avaliar com calma antes de enviar um "charme" e dá pra se ter um resultado melhor de interesses mais profundos de ambos os lados. O Tinder é mais mecânico.

O Kickoff tem uma proposta mais calminha, tudo é menos, menos gente pra ver, com mais informações, os perfis são mostrados um ao outro com mais cuidado no cruzamento de interesses e tal - bacana pra quem quiser arrumar namorada.

E o Down, apesar de ter uma proposta mais direta no sexo, devido ao número pequeno de participação pelo Brasil, não deve dar muito resultado não.

Particularmente, encerrarei em breve minha experiência com a maioria destes aplicativos, mas apenas pela razão de que apesar dos dentes da frente, do povo bonito e tal, a lógica é a mesma dos antigos sites de namoro, e tentam juntar os iguais, ou cruzar o que um diz que quer com o que o outro diz que tem.

Só que na festinha, todo mundo bêbo, todo mundo se agarra sem tanta exigência, né isso?

Amor e desejo sexual não funcionam tanto com os iguais, e nem com expectativas planejadas. Existem mulheres lindas que se apaixonam por homens feios e gordos (ufa!), existem Toms Cruises que se apaixonam por meninas magricelas e desdentadas por causa de seu mojo, existem ninfetas que se apaixonam por velhões, e ninfetos que se apaixonam por tiazonas.

Momento piegas: ainda acredito na mágica dos encontros malassombrados - aqueles em que até você mesmo se surpreende com seus desejos depois de bêbado.

Falando direto e reto, os desejos e fantasias sexuais de cada um, estes que nos fazem dar like numa foto, não definem nossos relacionamentos. Eles definem nossos sonhos, que nem sempre são levados a sério quando o fogo sobe. Relacionamentos são definidos, se você for uma pessoa normal, justamente pelas surpresas que o outro pode lhe apresentar. Estar apaixonado é ser surpreendido.

Bom, já fiz minha boa ação de hoje, e agora vou ali dar uns likes pra ver se consigo pegar alguém que possa gerar histórias neste Who Farted paradão.


14 outubro 2015

Who Farted - The Book


Sim, caros e raros seguidores. Promessa é dúvida. Como citei há alguns posts (citei mesmo?), em comemoração pessoal pelos 10 anos deste blog safado, estou fazendo uma compilação dos textos mais bacanas e não datados para fazer um livro do WF.

A escolha não é fácil, pois se tratando de 10 anos e de blog, é uma década falando merda sem tanto cuidado assim em ser fiel à gramática vigente, e sem uma revisão assim tão criteriosa, ou isso aqui seria chato demais pra fazer. Logo, pode ser que ainda demore um pouco para concretizar o projeto, se somarmos isto à minha preguiça incansável.

Contudo, posso contar com a ajuda dos seguidores mais fieis e dos curiosos mais corajosos, caso se interessem. Se buscando pelo arquivo do blog, que está ao lado direito da página organizado por anos e meses, você encontrar algum texto que lhe interesse, que chame mais atenção, pode deixar um comentário sugerindo a inclusão deste no livro. E não se preocupe, pois o comentário não será publicado, e apenas eu o receberei, podendo inclusive ser anônimo, e atomatamento.

Quando eu publicar o livro, distribuirei de forma gratuita pela net, e caso alguma editora se interessar por este monte de bobagens, ele pode virar papel também.

Vamos ver o que a gente pode ver.

12 outubro 2015

Superexposição


E ela entrou estonteante porta adentro. Quase não a reconhecia, pelo que sempre via. De menina, se metamorfoseava em mulher diante de meus olhos, em minhas suposições, mulher com jeito de menina. Cabelos longos, boca bonita, sorriso cativante, em um vestido que fazia o máximo para não atrapalhar, curto, pequeno, colado, quase nem precisaria estar ai.

Mas era apenas um bar.

Podia ser pra mim, ou simplesmente não. Preferi observar mais, um pouco distante, tomando minha cerveja, analisando o movimento à sua volta.

Tudo o que eu queria neste momento era, como sempre fazia, perder as estribeiras, o bom senso, o controle, este mesmo que venho tentando manter a todo custo a toda hora, ultimamente - preciso ser um cara mais maduro, como aqueles que andam de terno pilotando os carros dos comerciais.

Não nego meus ímpetos a todo momento, mas gostaria que estas explosões não fossem coisa de momento, coisas de um vício pelo afago à autoestima, pelo colecionismo.

Aquela eterna briga entre Dr Jekyll and Mr Hyde.

E me faço esta pergunta fácil: porque é tão difícil se apaixonar hoje em dia?

A superexposição ao desejo faz o mesmo que a superexposição ao medo - o perdemos. Sobram os instintos.

Não serei eu a mais uma vez falar os mesmos clichês sobre como as redes sociais estão nos fazendo mais apáticos e cínicos, mais hedonistas solitários. Mas repetirei meu clichê, e volto a dizer que no amor é preciso aprender a ter menos para ter mais.

E que amor teria graça sem antes passar pelos filtros das paixões?

E lá estava eu observando, e de tanto observar a perdi de vista. Game over, por aquela noite - para ela.

Meus jogos, contudo, seguiram pela madrugada e viram o sol nascer com cerveja e sol, conversas sem graça e um monte de razões para ir embora, e nunca mais ligar.

Que efeito misterioso este que nos faz abrir mão dos objetivos, para abraçar paliativos?

Não adianta, não tenho mais pressa. Gosto daquela emoção de apostar, correr o risco de perder, criar valor, pois toda menina que valha a pena, como sempre vou dizer, precisa estar disposta a voltar, me dar outras chances. Quero ser o ganhador da dança do acasalamento e não apenas o que tem pra hoje.

Mas aquelas que não contam tanto, estas estão sempre aí, e as conduzo com a facilidade que meu tempo de mercado me fez adquirir.

Sim, nos apaixonamos menos hoje, pois temos inúmeras rotas de fuga. Esta é a explicação. Somos todos menos resistentes à rejeição, menos insistentes. E porque insistir, se tenho outra que me chama e não dará tanto trabalho?

Vou lhe dar apenas um motivo: todos precisamos de mais verdades e razões, ainda precisamos conviver de verdade, ter intimidade. Esta solidão em grupo não vai vingar pra ninguém.

Bom, deixa eu correr ali pra abrir a porta, que a geladeira tá cheia.

10 outubro 2015

Crônicas da Bunda e dos Peitos


Acho massa textos falando de como o homem deve se comportar na cama para fazer as meninas felizes, os segredos, o timing das coisas e tudo mais. Apesar de sempre colher boas dicas, isso também me faz ficar imaginando que tipo de pragmatismo a pessoa deve ter para fazer sexo com uma menina linda e cheirosa, sem se empolgar, de forma a não errar nos passos da boa comida, sem broxar, sem gozar antes, sem perder a concentração, sem demorar muito em cada fase, sem jogar a toalha molhada na cama, sem esquecer de tirar as meias.

Certamente, minhas melhores transas não foram aquelas em que me propus a fazer malabarismos ou utilizar técnicas de excitação, e nem mesmo aquelas em que me preocupei muito em satisfazer a menina. Os melhores rocks mesmo foram aqueles em que ninguém se preocupou com nada - nem mesmo em ter prazer.

Digo, puxa, se eu vou a um restaurante comer uma lasanha, não vou ficar o tempo todo avaliando as qualidades da lasanha, ou se ela vai me dar todo o prazer que eu poderia ter ao comer uma lasanha, ou se a lasanha vai me chupar ou não, se ela me ama. Vou lá e como, curto o momento, e se a lasanha for de meu gosto, voltarei, assim como posso voltar pelo ambiente do restaurante, ou porque fica perto de casa. Tudo tem lá seu valor, e seu peso nestas horas. A lasanha deveria pensar o mesmo, nesse mundo moderno.

As melhores noites foram aquelas em que os dois, ou três, ou quatro, estavam gostando de estar juntos, estavam conversando, tomando cerveja, rindo, fazendo bagunça, testando eletrodomésticos, frutas, pirulitos, lasanhas e oleosidades em geral, sem toda esta preocupação de resolver todos os problemas da sexualidade da minha, da nossa ou da sua vida naquele momento.

Quando você se fecha no quarto com uma menina e começa a se preocupar com sua nota na avaliação final, a coisa vai desandar e chegar ao resultado contrário do que todo mundo quer. Vai ser menos divertido.

E se a moça ficar lembrando do que a revista Marie Claire dizia que ela teria de sentir naquela hora, ou ficar encanada em não decepcionar suas amigas feministas na hora de escolher as posições, a coisa vai dar mal.

O que excita de verdade é ver o desejo do outro. E não adianta fingir.

Sexo é estado de espírito. Pelo menos, sexo bom é assim - existem lá as modalidades esportivas da causa, mas não é vida real, nem tem conteúdo, não traz sentido, continuidade.

Tudo bem que eu devo mesmo defender estas teorias, já que ando tão gordo que pouco mais me restam do que três posições sexuais: em cima, embaixo ou deitado pegando fôlego pra voltar. Mas acho que independente de meu sarcasmo, a coisa vai no mesmo caminho pra todo mundo.

A boa trepada é aquela em que você olha a pessoa e tem vontade de desfrutar dela, de passar a noite juntos, testando paladar, tato, audição, olfato, visão e especialmente os outros sentidos ainda não catalogados.

E tem mais... eu devo mesmo estar filosofando demais porque, relembrando Cazuza, "neste raio de suruba, já me passaram a mão na bunda eu ainda não comi ninguém".

Vou é encher a geladeira de cerveja, porque vai que...

14 setembro 2015

Tá Fazendo é Nada


Apenas para bancar o chato, resolvi fazer uma postagem curta contradizendo alguns memes que vi ultimamente circulando por aí, da nova safra neofeminista-homensnuncamais.

Como percebo que uma das maiores preocupações da mulher moderna é em como afastar os homens e suas cantadas idiotas de perto delas, a não ser que se trate do Rodrigo Santoro ou algum maluco de boné de aba reta que ela mesma quer cantar, ou sei lá, vou dar três dicas infalíveis para que esta tentativa NÃO dê certo, em mais um manual prático do Who Farted.

Como Não Espantar Homens Que Queiram lhe Pegar

1) Dizer que tem namorado, ou deixar isso explícito nas conversas: de boa, faz tempo que eu, ou os outros caras que andam por aí nos mesmos lugares que eu, não nos deparamos com mulheres solteiras. A grande parte das mulheres com quem já fiquei nas noitadas, na manhã seguinte esclareceu que tinha um namorado, um amante, ou um ficante desavisado de sua vida apimentada pelos bares quando elas não estavam por perto. E de levar corno, eu mesmo já até cansei. De forma, que dizer que tem namorado não é exatamente um grande empecilho, hoje em dia, graças à modernidade destes jovens loucos deste mundo pré-apocalíptico. E isto, fique bem claro, não tem muito a ver com machismo, mas sim com o feminismo mesmo, até onde entendo - isso pode Arnaldo? PS.: esse papo de dizer que homem respeita a presença de outro homem é absolutamente uma lenda.

2) Ficar chamando o jovem que tenta lhe abordar de "amigo": de novo, caminho errado. Qual o problema de ficar e transar com os amigos, cara moçoila? Algumas das melhores noites que já tive foram com amigas, que terminaram voltando a ser apenas amigas, na manhã seguinte. E quem é que respeita mais essas coisas? Pra uma noite, não tem stress, e se for pra namorar e casar, é melhor mesmo que seja uma amiga, ou a coisa não vai prestar. Ah, estes jovens...

3) Dar tapinhas nas costas, quando abraçar para dar um beijo no rosto: essa é de longe a mais estranha das atitudes que vejo em algumas meninas quando querem sinalizar que não vai rolar nada, porque geralmente vem das meninas com quem você realmente não pensou em ter nada desde o início. É bem constrangedor, e mais provável que a partir daí você acabe é gerando curiosidade. Tenta essa no caso de você querer chamar atenção de alguém, que talvez seja mais efetiva.

Quer uma solução rápida para um cara nunca mais te ligar e desaparecer da sua vida? Saia com ele e tenha uma boa noite de sexo. Se não for amor, nem amizade colorida, ele não vai ligar no dia seguinte (em todos os sentidos).

Falou o consultor sentimental do Who Farted.

23 agosto 2015

Em Busca da Segunda Chance


Viva a bunda. É sempre por ela que as coisas começam e acabam. O homem olha a bunda de uma bonita moçoila, se apaixona por ela e gerencia a coisa toda até levar um pé na bunda da mesma.

É isso. Relacionamentos perfeitos não existem. Eles começam com safadeza, com percepções pouco profundas de quem são estas pessoas, um cheiro bom, um cabelo.

Meninas se interessam por mim imaginando, às vezes, o cabassafado ogro puxador de cabelos e superdotado que grita e toca guitarra no palco de um bar, mas terão de se deparar, indeed, com um gordinho de convivência fácil e que vive de chinelão e bermudas, comendo pizza e se arriscando em empreitadas malucas nos negócios - no drugs, no rock'n'roll, but some beer and sex.

Principalmente nos tempos de informação fácil, agilidade de comunicações e Tinder, é preciso se lembrar que um bom relacionamento amoroso com alguém precisa ser construído - não virá pronto, como já chegamos a imaginar em tempos remotos.

Sempre que conheço uma nova menina, seja ela ninfeta ou pós-ninfetona com méritos, estou pronto para enfrentar o primeiro tempo sabendo que provavelmente ela marcará três encontros no mesmo dia com outros caras, café, almoço e jantar, e deve saber gerenciar isso tão bem com seu megacelular cheio de apps que quase ninguém percebe, ou nem liga.

A esta altura, o caro leitor deve ficar imaginando que o título deste post se refere a uma busca por refazer a vida, após um primeiro "casamento", né mesmo? Mas não, né nada disso... Relaxe.

Não caia no pensamento cafona da geração X.

O que eu venho dizendo é que dada a dificuldade de se ter uma segunda chance com qualquer mulher que seja, na hora de se avançar do flerte para um primeiro beijo, é bem capaz que no dia em que isso acontecer, eu tenha finalmente achado a nova pessoa certa para minha vida da última semana.

Nos últimos meses, como ando lento, preguiçoso emocionalmente, e muito preocupado com a salada de batatas do meu restaurante preferido, que parece estar caindo de qualidade a cada semana, tenho batido recordes de abandono de posto e "no show" na hora que as meninas mais parecem querer me seduzir, sempre apostando eu num possível próximo encontro para resolver a situação com mais calma - encontro este que constuma não trazer os resultados esperados, pois as meninas parecem fingir que nunca jamais fizeram ou quiseram o que tentaram no encontro passado.

É verdade que nunca se sabe se a moçoila realmente está lhe dando mole. Geralmente, nem ela mesma sabe bem se é isso. São ímpetos, são testes, são um convite a que eu tome as devidas iniciativas, como geralmente o faria.

Por isso, uma segunda chance é incomum. Meninas bonitas têm uma frágil autoestima, por regra. São emocionalmente mimadas, e reagem mal a qualquer sinal de possível rejeição. Dar uma segunda chance, portanto, seria abrir a guarda excessivamente, seria assumir que ela quer, e portanto se expor à possibilidade de receber um não, uma noite blasé.

É tudo um jogo de baixo risco. E este jogo tem soluções interessantes, é como um xadrez.

E a merda é que eu tô nem aí. Só me lembro que ando precisando voltar a comer alguém com ritmo de repetição quando passo um sábado em casa tomando cerveja sozinho e tocando guitarra para as paredes, afins de discutir física nuclear com alguém e fazer amor selvagem ouvindo Blues safado.

Contudo, eu em minha enésima fase blasé já descrita no WhoFarted, tenho apostado na segunda chance, este improvável segundo dia em que a ninfetona demonstre as mesmas atitudes e aberturas, como um rito de passagem.

Sobre as últimas semanas, precisa mesmo dizer? É claro que não comi ninguém.