Who Farted? - O Blog.
O Who Farted é meu blog infame de conteúdo absolutamente pessoal e intransferível, no qual publico pequenos pensamentos de filosofia nonsense de boteco e pequenas fantasias de realidade fantástica (ficção), reflexões insanas e fartológicas.
Aqui solto meus fantasmas e exponho livres pontos de vista sobre um universo maluco que me cerca.
Who Farted é meu psicanalista, meu diário, minha carta aberta a meus amigos e amigas.
19 agosto 2016
Verdades Bestas
Depois de anos de reflexão (quase) solitária na suíte dos ventos uivantes do Heartbreak Hotel, hoje pela manhã, em uma daquelas epifanias que todos um dia temos antes do café, percebi que na verdade existe quem simplesmente não precise de ninguém.
Eu achei que eu mesmo fosse desse jeito, pra ser sincero.
Afinal, eu tenho prazer em estar sozinho, não sou do tipo que casa nem namora por reflexo e hábito. Eu simplesmente não preciso de ninguém, a não ser que eu precise.
Contudo, geralmente não preciso.
Amores e paixões para alguém que realmente não precisa de ninguém surgem apenas pela vontade do dia, como quem acordou com vontade de comer pizza ou panqueca. Geralmente, não tem nada a ver com as outras pessoas envolvidas, e apenas com sua própria vontade de matar o tédio. Não se trata de maldade ou egoísmo, e sim de uma certa virgindade sentimental, de quem, provavelmente, nunca se ferrou de verdade nestas coisas.
Mas nisto, não me encaixo não.
Talvez, tenha sido como cheguei aonde estou, adquiri minhas crenças atuais, ano a ano - devo ter partido de algo assim.
Hoje, penso que precisar de alguém, mesmo, nunca preciso. Mas, às vezes, simplesmente quero.
16 agosto 2016
As Intenções Sexuais de Cada Um
O Instituto de Sexologia Aplicada Who Farted, em recentes percepções de mercado, tem notado que a atual obrigação de transar bem, gozar e fazer gozar, tem feito com que alguns destes encontros românticos casuais estejam se tornando demasiadamente mecanizados, chatos, com excesso de expectativas e esvaziados de sua essência principal.
Provavelmente, isto é fruto daquela geração que ficava contando com quantas meninas tinham ficado na balada, e de quebra tem afastado muita gente da prática da coisa toda, por mero desinteresse - o que é alarmante.
Para facilitar a vida dos jovens mancebos, o ancião sexual WhoFa, ex-barbossexual ativo e gordossexual praticante, resolveu juntar um pouco de seu nobre conhecimento sobre os vários possíveis pontos de vista de uma boa transa, misturar com dados científicos de todos os Institutos do Grupo de Estudos Who Farted, em um compêndio sucinto, para quem sabe, revitalizar o entendimento de algumas modalidades importantes na vida de pecados de todos nós.
Dentro destas modalidades citadas, se encaixarão todas as formas criativas de fazer cada uma delas, como por exemplo, em grupo, casual, no casamento, em formato hétero, homo ou pan, poli... Você escolhe. O que vamos descrever são as intenções e não a forma de fazer.
Simbora nesta viagem ao conhecimento!
Manual Who Farted das Intenções Sexuais.
"Dar": esqueça todas as preocupações da revista Marie Claire sobre encontrar o ponto G, ou chegar ao orgasmo junto com seu parceiro. Um dos prazeres que estão sendo esquecidos, negligenciados, é este de simplesmente se permitir ser usado por alguém, perder o controle da situação. O prazer é exatamente esse, de ser dominado, independente do prazer sexual em si, do gozo. Talvez por não entender isso, muita gente complica este mecanismo e vai parar no sadomasoquismo barato dos 50 tons de cinza, tentando encontrar esta situação de domínio que poderia ser curtida de boas, simplesmente relaxando e dando bastante, deixando que seu parceirão se aproveite dos prazeres de seu corpinho. No caso das meninas espertas e bem estudadas, muitas ficam preocupadinhas com esta obrigação de gozar ou em não fazer posições politicamente incorretas com seus cabamachos.
Se questões políticas te preocupam, cara moçoila, arrume um militante com formação prática nas boas práticas sexuais segundo Simone, e vaitimbora ser feliz. Ou, aproveita bobinha, e aprenda que homens também podem "dar" para mulheres, seguindo esta mesma lógica, simplesmente se permitindo serem dominados, usados por elas - e esta é sua chance de se vingar dos homens maldosos e machistas.
Mas acima de tudo, anota aí: "não tem nada de errado nesta modalidade, e muita gente sempre soube disso e fez assim, mesmo sem entender bem porque era bom. Hoje, as meninas já ganharam liberdade para exercer sua busca sexual pelo orgasmo perfeito. E nada mais as impede de agora retomar, também, o direito de de vez em quando, opcionalmente, simplesmente dar descuidadosamente e curtir esta sensação de se perder um pouco, sem ter de dar satisfação pra seu ninguém, além de você mesma."
"Comer" - se tem alguém pra dar, é bom que tenha alguém pra comer. Comer é algo que deve contar com a mesma despreocupação de quem resolveu dar - o foco não é fazer a parceira ou parceiro gozar, mas extrair dele todo o prazer que você puder para você mesmo, de forma bem egoísta. Nesta relação, é isso o que contraditoriamente vai dar prazer a quem está dando, ora pois. De novo, é preciso explicar que este é um jogo consentido e desejado por quem o pratica, e a relação com as modalidades mais radicais desta negociação de domínio é imediata.
Na opinião tosca deste cabassafado, com mero embasamento nas pesquisas de biopsiquiatria sexual do Instituto Who Farted, quem tem fetiche em sado-masô ou em brincadeiras de estupro precisa claramente se reconciliar com o basiquinho de comer-dar (eu disse brincadeiras, e claro que você entendeu claramente o que eu disse, se não for virgem! - não me venha fazer política com o velho WhoFa) .
"Fazer Sexo/Transar/Trepar" - agora sim, é o momento de você pegar aquela Revista Capricho e seguir o mapa do ponto G, com teorias e técnicas de estimular o clitóris e o bico do peito ao mesmo tempo, com o Kama-Sutra na mão, tomar aquele Viagra de garantia, estudar técnicas de coito via internet etc. Esta é a modalidade olímpico-artístico-esportiva do sexo, e sim, aqui é melhor que todo mundo goze, pois este é o foco. É aqui que pinto grande e bumbum durinho mostram lá seu valor.
Mesmo assim, pesquisas recentes do Instituto de Neurociências Aplicadas à Sexualidade Who Farted, indicam que este não é momento de fazer pressão, nem política, e dominar ou ser dominado pode fazer parte do pacote sem nenhum tipo de representação da sua realidade político-social, se é que você me entende. O papo aqui é sobre hormônios e sua posição enquanto animal fantasiante.
Ligue o foda-se literalmente falando, ou nada disso vai dar muito certo.
"Fazer Amor" - diferente das outras modalidades, nesta não é necessário qualquer tipo de demonstração de poder sexual. O foco neste caso deve ser o carinho que um tem pelo outro, o toque mais sutil, a troca de bons sentimentos, boas vibes. O Instituto Who Farted de Comportamento Social indica que 90% das pessoas se sentem melhor se fizerem isto com um tiquinho de cerveja ou vinho no quengo, pra ficar mais emotivo, e uma musiquinha safada pra instigar.
Uma dica importante da feminista Simone Furacão é que aqui, também, gozar é uma opção boa, desejável, mas não obrigação, pra nenhum dos lados. A lógica é que o caminho seja mais interessante do que o objetivo. Muito bom se o prazer de estar junto de alguém que você gosta e receber carinhos incríveis puder te levar a gozar múltiplas vezes, mas também se não levar dessa vez, vai na próxima, pois é acumulativo e sem desespero de direitos.
Então, ainda segundo Furacão, gozar é um direito da mulher, e jamais uma obrigação. E se quisermos igualar as coisas, vale a explicação do Instituto Who Farted de Gozações de que, para o homem, ejacular não é gozar - gozar mesmo, assim como para a mulher, é algo um tanto mais raro, enquanto ejacular nós homens conseguimos facilmente enfiando nosso falo em qualquer buraco quente, ou em poucos minutos com o uso da nossa própria mão peluda, completamente independente de qualquer outro prazer; portanto, não misture as bolas, bebê.
"Sarrar" - na sábia opinião do sexólogo Givago Sentaqui, uma das mais instigantes modalidades de sexo, por causa do jogo de esconde-esconde. Nesta pegada, não existe essa coisa de penetração, salvo, talvez, por um ou dois dedinhos maldosos. Sarrar é massa e não exige muita coisa de nenhuma das partes. Pode ser feito com roupas, ou completamente pelados, sem perder a essência.
É uma ótima alternativa pra quem quer se curtir mas não necessariamente pecar, naquele momento, por qualquer que seja a razão. O paradoxo aqui, segundo o Grupo Who Farted de Interações Sexuais, é que existe mais amor e desejo em sarrar do que em muitas trepadas que vemos por aí. Isto provavelmente se deve ao fato de que todo sarro bom precisa de um beijão bem gostoso e um toque a mais de safadeza pra dar certo, além de deixar as pessoas mais à vontade, já que ninguém está avaliando a performance de ninguém. E aqui, a princípio, vale tudo, menos pipipi no popopó.
Útil para meninas que querem guardar a virgindade, meninos que querem resguardar o rabo ou quando faltar camisinha e a treta for grande.
"Rapidinha" - é basicamente uma trepada de bolso. O instituto de Geriatria Who Farted não indica esta modalidade para homens acima dos 40, pois isso é coisa de menino encharcado de Ritalina, Viagra e testosterona sintética de academia. A rapidinha é aquela transadinha desengonçada e sem tempo pra curtir que pode acontecer na escada ou no carro, com aquela afastadinha rápida na calcinha. Mas isso, todo mundo com mais de 13 anos já sabe como se faz, né mesmo?
"Punheta" - modalidade sexual indicada aos amores não correspondidos. Cada um faz de seu jeito, dá seu jeito, do it yourself solitário, com ou sem aparelhos de pilha, filminhos e lubrificantes. Como já dizia um velho amigo do WhoFa, ainda nos tempos da escolinha... "nunca menospreze uma boa punheta, pois muitas vezes é melhor do que certas trepadas". A vantagem é que você se diverte na hora que quiser, muito parecido com jogar videogame. O mesmo vale para a siririca.
"O Sexo Profissional" - geralmente, pode ser substituído com louvor por uma boa punheta, ou uma pizza de calabresa. Mas o que pouca gente entende neste caso é que existe, sim, gente que tem prazer em pagar alguém para dar uma trepadinha, mesmo que possua inúmeras outras opções em sua própria vida pessoal e as facilidades do Tinder. Pagar é por si só um fetiche.
Fazer sexo com alguém que está recebendo para isto só será um prazer se feito desta forma, pela fantasia de comer uma profissional, ou se fizer parte de seu conjunto de crenças pessoais - porque se for pela falta de alguém que queira lhe dar ou comer, isso vai parecer algo um tanto depressivo, e pode ser trocado por uma barra de chocolate.
Transar com uma profissional é diferente de todas as outras modalidades de sexo, pois não exige nenhum esforço de sua parte para agradar a parceira, e mesmo que você tente, provavelmente ela não sentirá nenhum prazer mesmo.
É necessário um certo grau de abstração, pois você terá de se divertir praticamente sozinho, já que ficará claro que a menina não está ali se divertindo tanto quanto você, e compensa solicitar que a nobre dama da noite fique calada, sem precisar fingir aqueles horrorosos gritinhos de orgasmo de filme da Brasileirinhas.
Uma coisa importante de se entender nesta modalidade é que o interessante é que esta seja uma relação de muita clareza, pois se você começar a se relacionar com alguém que discretamente esteja contigo pelo dinheiro, sem jogar aberto, é treta grande - contrate uma profissional assumida.
Claro, estou falando tudo do ponto de vista de um cabamacho, visto que nunca me imaginei contratando um garotão malhado para me comer, mas... certamente, a descrição é muito parecida para as meninas que buscarem seus amantes profissionais.
11 agosto 2016
Contra a Maré
Tenho lido muito nestas postagens de colagens de autoajuda em redes sociais a lição de que sempre devemos apostar numa pegação que seja simples e fácil, que seja abertamente correspondida e sem ruídos.
Eu continuo indo pelo caminho menos indicado.
Percebo que tenho minhas próprias teorias sobre isto desde sempre, assim de forma meio instintiva, inconsciente. Sou muito ruim de fazer tipinho. Sempre que leio coisas deste tipo, ou considero técnicas safadas de sedução para moleques espinhentos tais como fingir desinteresse para gerar valor, noto que estas teorias são válidas apenas em situações onde a pressa faz parte dos objetivos - principalmente, a pressa de ir embora buscar a próxima, ou o próximo, depois dessa aí que você tá querendo, então tudo precisa ser rápido e sem complicação.
Eu sempre fui do tipo que quando se interessa por estas meninas complicadinhas, mimadas da vida, acredita que é melhor não esconder o que quer desde o começo, e não se importa de ser cozinhado por longos períodos, se o resultado desta trama de novela mexicana puder ser coisa boa de se ter.
Minha teoria tem lá seus fundamentos.
Todo mundo joga, todo mundo conhece técnicas de fazer ciúmes para instigar o sentimento de perda no outro. Tanto homens, quanto mulheres, hoje em dia, são especialistas nestas receitas de sedução fast food. Ser fera no assunto já é até meio padrão, assim como ter tatuagem e fumar maconha - nada disso te faz mais esperto aos olhos de ninguém com mais de dois neurônios, hoje em dia.
De fato, se você simplesmente se mostrar da forma que é e parar de esconder seus sentimentos e interesses, se você tiver suficiente autoestima para gastar e aguentar as tormentas e umas pisadas maldosas em sua cabeça, o que vem depois é a perfeita calmaria, é o desarme.
Mas isso é jogo de gente grande. Tem de ter nervos de aço.
Sim, todo mundo joga, mas não joga pra sempre. Quando se fogem das situações sociais, e ninguém mais precisa manter a fama de mal pra amigos de seu ninguém, as pessoas na verdade gostam de saber que existe quem se interessa de verdade por elas, e certamente baixam a guarda a seu tempo, agem como pessoas normais e destemidas, vão cutucar essa onça pra ver o que tem de bom ali pra elas.
Em outras palavras, quando alguém sente o chão firme pela frente, pode dar suas sambadinhas, mas eventualmente vai perceber que é seguro ir em frente, sem medo de cair e se machucar.
É por isso que ando nessa fase melosa, meio emo, meio homem sensível e maduro dos anos dois mil, piloto de comercial de carro de luxo, aqui no WhoFa. É o que tem acontecido na minha vida real, apesar de toda a minha ograbilidade.
Como disse um amigo na cervejada da última Sexta: quando chegamos a certa idade, já aprendemos que nenhuma rejeição nos derrubaria por mais tempo do que duas dormidas chorosas e uma garrafa de cachaça ou duas grades de cerveja artesanal, e isso podemos aguentar a esta altura - então não existe pra que ter medo de se foder com mais nada que se refira a meninas bonitas e suas maldadezinhas sinceras.
É assim que tem sido. Quando é amor eu assumo, e quando acaba o amor ou a paciência, eu aviso também.
Por enquanto, sem comer ninguém, usando esta fórmula - mas há males que vêm pra bem.
Eu não sou bobo não, só tô de boa.
27 julho 2016
Era Só Amor
"Não daria pra simplesmente encostar na parede e roubar aquele beijo como tu sempre fazia, seu bobão?' - ô se dava... já deu demais... e até mais.
Às vezes, acontece essa coisa, essa fuga, de eu ficar tentando definir a fonte, imaginando nomes e rótulos, para um sentimento que fica pentelhando minha inquietude dia e noite, nesta vontade de puxar assunto, e reviver em conversas corriqueiras aqueles pequenos momentos que definem as razões de se amar alguém.
É abstinência de "xêro no cangote".
Não há mistérios. Quem não sabe? - dá pra saber fácil, quando você passa daquele desejo primal de comer alguém, e entra naquele estágio em que simplesmente levar pra jantar e falar sobre o tempo já te dá mais prazer ainda, ou quer tirar sua roupa só para enchê-la de beijos e mordidas safadas, enquanto assiste TV comendo pipoca. A certa altura da vida, não dá mais pra se enganar com estas diferenças.
E quem me vê passar, pergunta displiscentemente a todo tempo,"e aí, tá comendo?" - relaxe seu coraçãozinho, deixa dessa inveja branca, pois se estivesse eu não te diria.
Afinal, este é o Who Farted, e por aqui, nunca comi ninguém mesmo.
Na atual realidade do universo sentimental, pode ser um tanto desafiador e decepcionante querer chamar atenção para algo especial, vindo de você, de suas percepções da vida, das ligações perigosas que o desejo usa para te engambelar, destas intuições, dessa vontade de raptar alguém e trancar no seu quarto à beira-mar sem comunicação com o mundo externo para sempre, só pra ficar beijando o cangote.
Errado estou eu, portanto, que devia parar de tanta frescura, me agarrar ao Tinder e viver uma suada crise de meia-idade - quem, hoje em dia, quer mais levar qualquer tipo de sentimento a sério? Capriche na foto do pinto, e bota pra gerar nos nudes sensuais.
Mas onde parei mesmo? - ah, me esqueci que estou me tornando um velho babão.
Sim, é amor, e do melhor tipo, o discretamente correspondido. Do tipo que, hoje em dia, ninguém mais bota pilha. Estou, não faz muito tempo, perdendo o medo de considerar esta palavra, este conceito, como algo comum, que não tem problema nenhum em existir. E já tentei tantas teorias sobre este caso, que a esta altura, foi mesmo a possibilidade mais concreta e controversa. É só amor. Sente logo essa porra e pronto.
O irracional tem de ser sentido sem as interferências das razões.
Só que o ruído é grande, os tempos são outros. O meu tempo, o tempo dela. É treta - adoro tretas, já falei?
É, caro leitor, você está certo. Quanto mais eu envelheço, mais besta eu fico, e mais eu perco por não curtir as coisas como são, nestes tempos desalmados. Estou começando um período de ranzinzice e saudosismo dos amores sem telefone em casa, sem internet, sem celular.
Abro minha cerveja, abro meu mundo, e borassimbora para as novas e inesperadas aventuras do grande love gambler.
A maturidade te traz pelo menos três vantagens no campo sentimental: tranquilidade na cama, serenidade para assumir seus sentimentos mais tolos, habilidade de perceber a hora certa de dar linha.
Foi massa - um dia, a gente se vê com mais cerveja no quengo pra azeitar essa tua vida que de tanta movimentação, ficou travada, congestionada.
24 julho 2016
O Foda-se Racional
Racionalizar sentimentos é chato. Toda a magia se perde num lapso temporal. Mas é um movimento que tem lá sua serventia. É uma pausa para organizar a mente e o coração. Você se sente numa daquelas novelas chatas para mulheres modernas, discutindo com você mesmo sobre o valor positivo ou negativo de uma relação, sobre os prós e os contras do desenrolar da merda toda, toma decisões maduras sobre o melhor para sua vida, sobre o que você quer evitar.
Inclusive, escrever este blog é chato pra cacete, nestas horas.
Todos queremos evitar poblemas. Você se afasta de problemas, eu me afasto das tretas e todos nós queremos distância da tal dor de cotovelo de um amor que possa te ferrar. Possíveis paixões enganchadas que surgem fora de seus planos estão na lista de indesejáveis aperreios.
Daí, você toma umas a mais e, sem tanto controle, acessa todas aquelas emoções guardadas de forma visceral, sem filtros, sem resoluções de natal, sem metas para final de ano - você simplesmente sente o que estava ali de verdade, enterrado à força num cantinho do peito, pela praticidade da vida cotidiana, pelo que deveria ser o certo a fazer, fala o que não queria falar, se permite o que não queria se permitir.
Mas não, eu não estou falando de mim - acredite.
Acho que nunca fui destes. Sempre gostei das tretas. São as melhores coisas que podemos viver na vida sentimental, sempre. Gosto destes rolos que sugerem grandes mudanças na sua vida ou na de quem rouba sua atenção.
Foram muitas as vezes em que me vi preso numa destas pequenas insanidades que se estendem por longos períodos de platonismo mútuo, para um dia chegar a se tornar algo indescritível, único. Foram estes amores os que guardei com mais carinho na memória.
Sim, "amores". Porque "relação" é coisa de blog chato de mimis sentimentais, tipo esse Who Farted metido a sabidão.
Estes sentimentos misteriosos que vão crescendo devagarzinho, imperceptivelmente, são o exato oposto daquele beijo roubado numa noite mal dormida. Você começa a pensar naquela pessoa em momentos inesperados do dia, por razões fúteis, e quando nem esperava por isso, ou ate rejeitava a ideia, começa a ter saudades, começa a querer que a outra pessoa esteja com você em situações banais tais como comprando alface.
Aí sim, tá certo. Quando você tira a roupa de uma pessoa destas na sua cama, as coisas funcionam como deveriam - digo, aquela esperada explosão de sentimentos, carinhos, vontades.
Mas, calma. A única loucura grande que fizemos foi nos permitir minutos de sinceridade, coração aberto e destemido após uma cachaça, sem machucar nem atingir quase ninguém. E acredite que, hoje em dia, minutos de sinceridade são de uma importância incomensurável. É quase sexo selvagem.
Nem mesmo eu sei o que eu quero de verdade - só sei que não saio dessa sem saber, só sei que tem importância sim, seja lá qual for.
Sou meio paranoico por ainda acreditar que boas coisas acontecem nas vidas de cada um de nós. E depois de ver tantas outras boas roubadas passarem pela minha vida como uma marca de melancolia, por não terem sido vividas como deveriam, eu digo que esta só se esgotará em seu fim natural.
Que se foda. E isso é uma decisão racional.
O Superman está levando a Lois Lane pra voar - se cair, caiu. (te fode)
12 junho 2016
O Dia das Namoradas
Ao contrário das minhas piadinhas irônicas sinceras de sempre, este ano, em meu post clássico do Dia dos Namorados, vou reforçar que admiro quem namora, gosto de quando sou namorado, e sim, sempre que chegamos a esta data, quando estou sozinho, como todos, tenho dois sentimentos recorrentes: uma certa melancolia por não ter talento para este expediente e um alívio pelos gastos a menos numa época em que geralmente estou liso e mal pago, graças às minhas profissões malucas.
Sempre fui um romântico incurável, que na falta da coisa real, se deleita com suas mil virgens.
Como romântico safado que acabo de dizer que sou, não posso me contentar em fingir pra mim mesmo que amo por medo da solidão, por qualquer carência enrolada. E se amo, jamais me contentaria com quem estivesse comigo sem sentir exatamente o mesmo. Sou absolutamente avesso à conveniência social de se andar em casal. Pra mim, é fogo ou água.
Apesar de gostar de namorar, sempre assumi meu total deslocamento de todo este ritual, em seu formato mais comum. Talvez por isso, que me lembre, eu tenha tido na vida apenas duas namoradas que tenham durado mais que poucos dias, e um casamento de pouco menos de cinco anos. O resto foi só rolo.
Do formato típico do namorado perfeito, tenho muito pouco, ou nada. Não sou uma destas figuras com carrinho financiado, camisa social dobradinha até o cotovelo, perfume contratipo, comedor de Sushi. Sou da pizza, da camiseta, bermudão e chinelo.
Sim, esta lista de qualidades, apenas por coincidência do amor, faz parte na maioria das vezes do perfil do príncipe consorte das "princesas de namoro".
Se existem exceções? Claro! A maioria dos verdadeiros amores fogem às necessidades estéticas de combinações, já que namorado não é bolsa de grife.
Generalizações e ironias malvadas à parte, grande parte do martírio a que faço minhas meninas passarem são quase intencionais. Eu gosto de mimar, mas não com estes artifícios. As trato como iguais, sendo que meninas lindas, desejáveis e beijinháveis.
Não me importo em dividir a conta, não gosto de ser forçado a frequentar festas familiares, mas adoro ter longas conversas na cama, ouvindo música ou vendo TV.
Sempre que vejo a cultura do ter alguém pela necessidade de ter alguém, sou obrigado a dizer que quando isso acontece as pessoas estão perdendo a chance de conhecer pessoas que poderiam ser realmente importantes.
Muitas vezes, aliás, estão perdendo a chance de conhecer até mesmo a que está a seu lado, que poderia se tornar apaixonante, já que em grande parte destes casos a pessoa "amada" é uma espécie de ponto de espera, que fica ali como base sentimental, uma amizade acelerada, sem aquela necessidade extrema de estar perto, comendo Sushi antes das dez, para a outra parte se apoiar enquanto continua à procura em flertes e ficadas do outro lado da cerca.
Secretamente, chamo este de "o dia das namoradas", já que é sempre muito mais honesto amar várias meninas que me encontram em poucos momentos no ano de coração aberto do que estar com alguém por conveniência sentimental.
Se eu pudesse, daria um presente a cada uma. Mas para não ser infame nem injusto, naturalmente não posso.
Fica meu conselho a todos os Whofarteders: aprendam a receber o amor de quem quer te oferecer, considerem, tentem retribuir. E se não conseguir, se não der clique, não fiquem por perto, e ofereçam seu amor a outros. E se não forem retribuídos, recolham de volta. Mas só se casem, só namorem, só se apaixonem por quem demonstrar que quer lhe oferecer o mesmo. Só deem match quando for impossível estar longe apenas daquela pessoa. Pois, enquanto para sanar a saudade de uma, encontrar outra servir, é muito mais saudável, divertido, honesto e prazeroso namorar todo mundo, seguindo os passos do Wesley Safadão.
Se tem alguém que eu gostaria de namorar? Certamente, talvez não de maneira convencional, mas sempre tem, nunca deixa de ter, e sempre sigo os meus conselhos pra mim mesmo, pois nada disso se pede, de quem quer que seja. Isto se conquista, ou não.
Passar alguns sábados sozinho e os dias 12 vendo TV, ou dando um passeio massa, a gente tira de letra. O que não pode é forçar barra.
Que tenhamos todos apenas um namoro na vida, se for o caso, mas que seja verdadeiro no presente, nas lembranças e nos planos futuros.
Ano que vem, falo de novo sobre isso.
05 junho 2016
O Óbvio dos Dias Comuns
Quando eu achava que você me lia
Eu escrevia tudo que eu não dizia.
Às vezes nas entrelinhas da minha inexpressão,
Por vezes, em palavras claras para avisar que já chego.
É claro que eu sempre soube ler nas suas entrelinhas.
16 maio 2016
O Blues Daquele Beijo
Um beijo muda tudo. Mande flores, faça malabarismos, escreva seus poemas, e tudo será apenas uma abordagem sutil e passível de "sims" e "nãos", sem um beijo. Um ósculo de língua safada bem dado e agarrado de jeito, contudo, abre uma passagem secreta para a falta de discernimento capaz de gerar casamentos e filhos sem muita conversa preliminar.
Mas falemos agora de um paradoxo. Este mesmo beijo que muda tudo passa por uma fase de certo descrédito, já que beijar não demonstra mais amor, mas uma conexão efêmera que pode acontecer várias vezes numa mesma noite com pessoas diferentes, não por motivos afetivos, mas de afago ao ego.
Disso, estou farto, cansado, esgotado.
E o que se faz, afinal, com este beijo que é ao mesmo tempo solução e dissolução?
Ah, você quer mesmo falar daquele beijo? Posso estar errado, e posso perder muito mais do que ganhar com isso. O risco é sempre grande, com tanta rapinagem por aí, mas tenho concluído que o antídoto que pode superar esta hiperatividade amorosa que assola os corações modernos é justamente forçar tudo a caminhar muito mais lento, como nos tempos do The Platters. É não entornar o copo, mas reaprender a saborear. É voltar aos tempos da namoradinha com "xêro" no cangote e mãos dadas passeando na praça.
Se alguém tiver um valor diferenciado para mim, prefiro guardar os beijos para depois, mesmo que com isso eu abra caminho para outros afoitos, tanto quanto eu mesmo talvez tropece em outros beijos no caminho - se eu lhe beijei após a segunda olhada, portanto, classifique aquele momento como minha própria dose de afago ao meu ego de macho alfanumérico, minhas necessidades e carências de cabassafado solteiro e malvado que não tem ninguém, e vive ouvindo "eu te amos" de quem não está nem perto.
Um beijo escorregado pode sim ser um passo para o infinito, mas não o garante mais por si só. Se queres me agarrar de verdade, com unhas e dentes, com chave do coxas e tudo mais, arranque de mim um beijo depois de me conhecer de perto, de trocar afagos e de ter raivas de mim - são suas raivas de mim que poderão te garantir estar fazendo a coisa certa. Nunca fui santo, nunca tive santas.
Então, guarde o Blues daquele beijo, babe, guarde estas saudades, pois para seu azar sou um tolo que ainda persegue lentamente o invisível, o intangível, o improvável, o sim por trás de tantos "nãos", pelo menos por agora, enquanto eu acreditar na minha insanidade - gostei dessa frase, taí...
E eu sei que por trás de toda essa minha confusão, minha intuição prevalece nonsense e lunática.
Tentar me entender é gastar os ponteiros do seu relógio à toa.
28 abril 2016
Os Amores Silenciosos
Se eu mesmo me perguntar quem eu amo, como se sempre amássemos alguém, provavelmente terei respostas bastante diferentes a cada vez que o fizer, mesmo se fizer isto várias vezes num mesmo dia. Talvez, eu esteja certo em pensar que outras pessoas passem pelo mesmo problema que eu.
O corpo e a mente têm essa mania de jogar para outros o seu ideal de felicidade, provavelmente porque busquemos na aprovação do outro a nossa própria fé no que somos. E afinal, de que mesmo adiantaria se achar a pessoa mais sensacional do mundo se não fosse para conquistar e gostar de outras?
Apesar de meu cinismo ranzinza e momentos de pegação, sou um cara romântico sempre que posso. Um cara que quer coisas boas. Me entrego facilmente sempre que tenho chance, e sem motivos indiscutíveis para isto. Me torno um cara bobo e não consigo esconder meu fascínio por estes sentimentos que as meninas conseguem extrair de mim, vez por outra.
Nessas horas, não sou aquele cara esperto e safo que as garotinhas adoram.
As pessoas têm muito medo disso de ser romântico, pois existe uma tendência a se rir do romantismo, das atitudes legais em direção a alguém, da entrega sem expectativas. Falar de carências, então, é quase que uma atitude reprovável, como se a pessoa carente de afeto fosse alguém de má índole - o bonito é fingir ser frio e pouco valorizar as relações e depois reclamar que não tem ninguém, o bonito é fugir de quem te trata com prioridade.
Tolice. Só eu sei o quanto eu já fui consolo de gente moderna que chora que nem porco no matadouro quando perde alguém cuja relação que existia entre ambos nem nome certo tinha.
Estava refletindo sobre isso após uma cerveja que tomei com uma menina linda no último feriado.
"- Homem é muito besta. Vê uma festa com mulher, vai até lá e fica pagando bebida pra ela achando que vai comer" - ela comentou, já um tanto alterada.
A questão que guardei pra mim foi que, se neste exemplo o homem for realmente besta, qual o papel da mulher nesta relação? Pense bem... Boa coisa não há de ser.
Eu mesmo, quando dou presentes a uma mulher, ou pago jantares e bebidas para ela, certamente não estou sendo besta. É simplesmente uma forma de carinho que não me garante conquistá-la, tampouco a força a me querer. Vejo isto como uma forma sutil de fazê-la se lembrar de mim de uma maneira boa. E certamente, não o faço tentando provar poder financeiro. Nada do que eu faça chega nem perto do meu poder financeiro - e não estou dizendo que sou rico, pois não sou. É realmente incondicional.
Seria isso prova de amor, então?
Hmmm neste caso, devemos voltar ao começo do texto. Talvez eu ame incondicionalmente, por exemplo, a menina que citei neste texto, por alguns momentos do meu dia. E certamente, ela também me ama em piscadas mal planejadas de seu coração. Mas é notório que também amo outras meninas no decorrer do mesmo dia, e ela também - sim, ela também.
Mas se um dia a gente achasse que se ama no mesmo momento do dia e eu lhe desse um desses beijos astronômicos que gosto de dar em momentos sublimes como este, bem... Seria no mínimo curioso.
Mas não me interprete mal. Se essa, ou aquela outra, ou (eita) aquela que eu já quase me esquecia, me dá uma fria, demonstra descaso, prefere outro, eu vou ali comer uma pizza, e estamos acertados e prontos para o próximo capítulo.
Amor é algo que existe assim, fácil - não se espante com o que eu digo. O que falta geralmente é coragem de se comprometer com este ou aquele amor, ou aquele outro, e aquele outro. Somos todos meio poliamorosos por condição de nossa humanidade, até o dia em que algum nos pega pra valer.
É estranho perceber que, neste furacão de amores, geralmente vamos nos abrigar debaixo das asas de um amor preguiçoso, tranquilo e de menor intensidade, que não nos machuque e não nos exponha demasiadamente na vida.
É o medo. Sempre ele.
Pessoas, também, estão em eterna metamorfose, apesar de nunca mudarem completamente - são as facetas escondidas em cada um que surgem e desaparecem da pele com o passar dos anos e experiências. E tem dias que vc pode se ver encantado por alguém que ainda não existe, tanto quanto pode ter saudades de alguém que não existe mais.
Amor é complexo. Mas é certo que começa pequeno e sem muita graça, e vai te tomando se for alimentado, se não for tosado a cada vez que se sente a pontada no peito.
Hoje, sou um tanto pragmático com esses amores não falados. Quando pesco um pra mim, ponho em forno baixo e vejo no que estou me metendo, rego até onde posso, provoco até o limite de ser chato e monótono. Hoje em dia, investir num amor, mesmo um pequeno, recém plantado, se é de futuro promissor, é movimento de alto risco, é entregar de mais à confiança de alguém.
E quando se encontra essa semente em alguém cheio de tantos medos, mais medo ainda tenho eu. Não medo de parecer tolo, pois isso parecerei mesmo que nunca ame de novo, mas aquele medo que o Super-Homem tem quando puxa a namorada pra voar.
22 março 2016
Discurso de Louco
De uma conversa real em um Sábado à tarde qualquer:
Eu não estou apaixonado por você
Mas gostaria de estar
Estou querendo estar
Não preciso me esforçar para estar
E se um dia eu tentar te beijar
Se eu fosse você deixava
E via o que seria só pra ver a merda que ia dar
Largava esse medinho pra lá.
E se no outro dia você se arrepender
Se eu fosse você não ligaria de ver direitinho isso aí
Pois certamente eu, começando do zero, faria de novo
E se um dia você me perceber desistindo
Eu, sendo você, não deixaria - punha logo o batom vermelho
Me derreteria a meu lado
Pois sabe-se lá destas coisas, o que são...
Não se deixam passar assim
Não que você se apaixone, mas vai que...
É discurso de louco.
16 março 2016
Signos e Flertes
Acompanhando minha
recente atualização com os apps da moda, incluindo os Tinders da
vida, acabei me impondo uma nova meta, de conhecer e flertar com mais
meninas do que o meu usual, pois sou preguiçoso que só neste
quesito também, para ver se consigo comer alguém - ou pelo menos
casar, ter filhos, dois cachorros e uma piscina.
Pelos últimos anos
tenho me visto na mesma crise em que tantas outras pessoas estão e
descrevem como "o povo não quer mais nada com ninguém".
Baseado em minhas
recentes pesquisas pelo instituto Who Farted, o problema consiste em
pecar pelo excesso de opções apenas pelo excesso.
Da mesma forma como
transferimos nossos relógios, agendas e despertadores para dentro
dos celulares, nos acostumamos a jogar nossa vida amorosa para lá
também, em conversas toscas de Whatsapp após uma pescaria fast food
nos tais Tinders.
O que muita gente
identifica como saudável, o tal hábito de se manter trinta
conversas sobre sexo ao mesmo tempo, para no final eleger apenas uma,
que provavelmente não vai lhe eleger de volta, e acabar encontrando
pessoalmente apenas aquela outra que nem tava na primeira lista, está
nos matando a todos.
Reforço que estamos
desaprendendo a flertar e principalmente a desenganchar do flerte
para algo mais sério, ou não, sem a ajuda de uma janela de
bate-papo, onde justamente, o texto incomoda.
Não que eu goste de
discutir a relação. Mas o que estamos enfrentando agora é algo
astronomicamente pior. A completa rejeição ao diálogo,
contraditório se temos excesso de sexo falado.
Ou, passe horas
conversando com uma menina que se derrete a seu lado em olhares
promíscuos e frases em tons suaves de voz, e se não houver sexo, se
não houver apenas um beijo de língua, todo seu trabalho se perderá
na nuvem, nem tente se referir a este momento como algo romântico em
suas memórias, pois a outra pessoa negará até a morte que se
tratava disto. Situação cada vez mais comum, hoje em dia.
Tudo precisa ser
subliminar, jamais citado, jamais encarado de frente, ou reconhecido
em palavras, enquanto fora de um bate-papo. Definir estas coisas em
palavras, mesmo curtas e coloquiais, se tornou sujo e anti-heróico.
Não foi uma nem duas,
talvez mais de cinco ou seis ou dez, vezes em que após passar noites
de pleno flerte com meninas que falavam rente à minha boca, fui
escanteado com um "puxa, amigo, veja bem, não é bem isso"
quando tentei buscar esta lembrança em palavras.
Namorar? Não, hoje
temos um "não sei bem o que ainda". Vocês ficaram? Não,
"rolou um lance sem nome".
Em outras palavras, por
falar nelas, ninguém mais precisa se comprometer minimamente, e a melhor maneira de se começar um relacionamento é
apenas agir e pouco falar, pouco expressar, e depois deixar passar.
Mas agora, falemos da
parte boa, a grande maioria das meninas que me escanteou com um "não
me comprometa com suas lembranças e percepções" simplesmente
acabou me dando pelo menos beijo na boca, o que em tempos atrás já
foi considerado amor. Ou seja, pare de ler o que estas loucas
escrevem em sua janela de bate-papo, ou você vai achar que também
está ficando doido.
Tentei pesquisar sobre
as características de cada mulher, entender de signos, mas
analisando rapidamente, concluo que todas as mulheres têm o mesmo
signo, pois todas agem muito igual.
E eu tenho este hábito
louco e ultrapassado de tentar escrever, explicar, tentar resolver os
momentos com textos que crescem e crescem.
Não, você não está
louco, este texto está realmente "banda voou", como
pensamentos à beira-mar de Olinda, numa manhã chuvosa.
Mas voltando ao assunto
inicial, minha missão, aquela de conhecer mais meninas, tem sido
cumprida aos trancos e barrancos, mas sem me trazer de volta aos
momentos de pegação experimental dos vinte e poucos anos. O projeto
é mesmo sério, não é uma piada do blog, mas o foco é privilegiar
mesmo minha lentidão, minha observação, deixar mesmo passar os
sentimentos verdadeiros e as bundinhas de cima.
Se chama "Projeto
Né Possível Que Num Tenha Ninguém Que Pense Como Eu"
Pra mim, agora, é a
busca do excesso pelo refinamento do resultado, e não pelo aumento
da ação.
E nem é tanto excesso
assim.
E vejam como sou
corajoso... Sem aplicativos, para estes fins.
03 março 2016
Crônicas Malvadas do Tinder
Tenho essa preguiça de
acompanhar novidades da Internet. Mas neste mês, fazendo um bem à
minha própria necessidade profissional, tirei algum tempo para me
atualizar e incorporar à minha vida todos estes aplicativos
presentes nos melhores smartphones da cidade. Agora, tenho Whatsapp,
Google+, GPSs, joguinhos e (porque não?) os mais populares apps de
paquera do momento. Badoo e Orku... ops... Tinder, Happn, Kickoff,
Down e outras quinquilharias românticas.
No começo, me senti um
pouco constrangido de colocar meu perfil nestes sites e parecer como se
estivesse desesperadamente procurando uma mulher com uma boca linda
pra beijar, mas depois de ver dezenas de perfis com textos quase
contundentes de meninas se declarando "apenas à procura de
novas amizades", em sites que abertamente têm como proposta
gerar encontros casuais, e geralmente sexuais, notei que idiota seria
eu se fizesse o mesmo.
Eu não consigo conceber porque cargas d'água uma menina que não quer fazer sexo vai ter um perfil no Tinder.
Quanto a mim, afinal, não estou comendo ninguém mesmo e
não serei eu a me opor se alguma bela ninfeta de fotos sensuais
quiser dar pra mim. Agora, fazer amizade pelo Tinder? Amizade a gente faz pelo Facebook, e olhe lá - e foi esse papo aí sobre amizade e Facebook que
entrou no meu perfil, pra quem quiser dar like já vir logo quente na
intenção, oras.
Se eu te quero e tu me queres, problema resolvido, babe - só que não.
A verdade é que não
adianta se iludir acreditando que você vai conhecer dezenas de
mulheres bonitas querendo te dar. Pelo menos, não jogando
honestamente, digo logo. Estar no Tinder ou outro aplicativo semelhante não é
muito diferente de estar numa rave descolada cheia de garotões
sarados sem camisa e ninfetonas tatuadas de óculos da
Chilli Beans.
Todas as meninas,
bonitas ou feias, vão dar "like" para os mesmos caras, e
todos os caras vão dar "likes" para as mesmas meninas.
E aí, torça por aquela rara exceção.
Para aqueles que não têm um perfil imediatamente atrativo, não
sobram likes. A diferença é que, numa festa boa, depois que os
principais saradões e moderninhos fofos já foram conquistados, você fica com as rebarbas
carentes e bêbadas pra se apaixonar, e no aplicativo você não tem muita noção
do mundo lá fora, se não entender um pouco de programação de computadores e algoritmos para
desvendar o que acontece ali no The Matrix do sexo selvagem casual- sim, eu sou programador de linguagens
de computador, acredite, e expert em sexo selvagem casual, muuito casual.
Entenda que um dos
principais motivos do sucesso destes aplicativos é o fato de que vc
vai ver muitos perfis de pessoas extremamente bonitas, se oferecendo
pra quem quiser pegar, sem necessidade de você pagar mico se expondo
pessoalmente. Sim, você pode correr seu risco ali, anonimamente, e a
menina só vai saber se também te achar uma pessoa bibita de coração
e alma - vai sonhando.
Pois bem. Lembra que
nos velhos sites de namoro a maioria dos perfis era de gente
extremamente saída dos infernos? Para onde vão estes perfis feios nos Tinders da
vida? Eu te digo: para debaixo do tapete.
É nítido para quem
pensar um pouco que os Tinders avaliam seu perfil pelo número de
likes que recebe e pelo tipo de perfil que dá likes neles, e
fatalmente utilizará os perfis mais populares como vitrine,
colocando eles na frente, para conquistar os novos usuários.
Uma coisa que notei em
todos estes aplicativos é que vc recebe um bom grupo de gente bonita
em sequência, e depois, lá pelo finalzão, um grupo seguido de
gente misteriosa.
Se seu perfil estiver
classificado como "gente misteriosa" vai aparecer já no final
para outras pessoas bonitas, incluindo aquelas para quem você
ofereceu seu "like". Ele vai ter menor prioridade na fila, sacou? E aí, pense bem. Uma pessoa bonita
vai naturalmente já receber mais de um "match" logo nos
primeiros 5 perfis mostrados, que também fazem parte deste seleto
grupo prioritário, vai se concentrar neles, e nem vai chegar a ver o seu
perfilzinho de gente normal.
O resultado disto,
naturalmente, é que se você for um garotão bonito e malhado, destes
que já tão cheios de meninas perseguindo na rua e nos bares, você
vai receber dezenas e até centenas de "matches" de uma vez
só, enquanto o pobrezinho do Didi Mocó geralmente não vai ser nem
visto por este povo bonito.
Mas, por outro lado,
também notei que em dado momento, estes apps fazem o cruzamento de
aborígenes e começa a mostrar os perfis sem apelo sexual uns para
os outros, para ver se algum ogro se agarra com alguma jacarôa e
deixa o povo bonito em paz, e nisto, possivelmente, ele tem algum
sucesso. Mas não se empolgue, eu disse "algum" sucesso.
Meu perfil,
naturalmente, mesmo com toda a minha beleza física e psíquica, foi
rapidamente marcado como aborígene baleia macho. A minha dica de
expert em algoritmos neste caso, não para resolver, mas para dar
uma aliviada nesta marcação, é você ampliar nas configurações os seus interesses para
pessoas mais velhas e mais longe, e ver se consegue mais likes, já
que mesmo que você os receba, não precisa dar de volta - se liga
nas malícia.
Esta dica, inclusive, é dada, mesmo que velando suas razões, pelo próprio Tinder.
Contudo, é bom lembrar
que não importa o quanto você possa ser lindão e sedutor, se
estamos falando numa escala de milhares de usuários na sua região,
os likes que você está procurando vão se concentrar em pouquíssimas
pessoas no Olimpo da beleza de academia, salvo se você for um destes
que vai mandar fazer uma foto sua toda corrigida no Photoshop pra
enganar as donzelas e depois tentar ganhar no papo - grande lógica
de invertebrado, esta, já que a única coisa boa destes aplicativos
é mesmo agilizar o processo de conhecer alguém que goste da sua
aparência física, saltando um dos processos da conquista.
Qual a solução que os
aplicativos encontraram para forçar seu perfil a ser mostrado a uma
pessoa bonitona que fez seu coração bater e tentar conseguir um
"match" pra você? Pelo menos o Tinder e o Happn possuem
opções de você dar um "superlike" ou um "charme"
a esta pessoa, por opção sua, e pagando por isto, para mostrar seu
interesse especial naquele caso. Mas aí, sua identidade e interesse
serão revelados abertamente ao outro usuário para lhe corresponder,
ou não, e você poderá sofrer escárnio público entre as amigas de banheiro da menina - ui, que medo.
Não sei se isso muda
alguma coisa de você simplesmente adicionar alguém bonito no
Facebook e começar uma conversa, mas pelo menos estamos no
pressuposto de que as pessoas estão ali para se agarrar mesmo, e que
se a outra não estiver a fim ela vai simplesmente dar um "sai
fora virtual" que não atinge ninguém, nem quebrará o coração
de ninguém.
Outra coisa que me
chamou atenção é o fato de que estar num destes Tinders é como
pedir comida no fast food, e não me refiro apenas à forma
mercadológica de escolher pessoas num cardápio, mas também pelo fato de que o que vc vai
comer tem muito pouca semelhança com o que você viu na ilustração -
e não adianta ficar sonhando com o Big Mac da foto, brodinho.
Aliás, não entendo
qual a graça em atrair uma pessoa para seu perfil, com fotos que não
te representam, reforço.
Uma das primeiras
coisas que fiz no meu perfil foi tratar de por uma foto que me mostre
como um simpático tiozão roqueiro gordinho logo na segunda foto, para evitar
ilusões e corações partidos.
Outra lenda em que se acredita antes de começar o jogo é a de que no momento em que alguém
gostar de suas fotos, vai ser só marcar um encontro e sair beijando. Mas que
porra nenhuma. São poucas as que se quer respondem à sua conversa
no chat que se abre. E isto, claro, se deve ao fato de que, como eu
disse antes, as pessoas bonitas recebem muitos "matches", e
acabam ignorando grande parte deles.
A grande pergunta que
fica ecoando em sua cabeça neste momento deve ser "- Eaí?
Comeu alguém?".
Claro que não! Se eu
comesse, perderia a graça de escrever aqui.
Mas vou lhe dar umas
dicas massa para fazer destes aplicativos seus aliados: não leve a
sério demais, seja honesto em suas fotos, ser honesto não significa
pegar seu pior ângulo de cuecas no banheiro mostrando o bucho, ponha fotos bonitas e realistas, não escreva muita abobrinha no
perfil, escreva no perfil fatos relevantes para um encontro amoroso
tais como "sou gordo" ou "tenho 1,50mts de altura"
ou "apesar de não aparecer nas fotos tenho um pinto biônico",
quando encontrar alguém que realmente valha e pareça ser alguém que se interessaria por você utilize os
recursos de "superlike"(Tinder) e "charme"(Happn)
ou você terá chance de nem ser mostrado à menina.
Outra dica master: não caia nesta merda de "baixar seu padrão de expectativa". Os Tinders são como uma loteria. Aposte na exceção de encontrar a gata dos seu sonhos, ou o gato. Gente normal, você conhece no play do seu prédio.
E qual dos apps eu
indico?
Pelo menos no Brasil,
neste momento, os mais populares devem ser o Tinder em primeiro na
geralzona e o Happn pro povo mais fresquinho. A maior parte do agito
está nestes.
Particularmente, achei
mais legal o Happn, pois este salva em sua timeline os perfis que
você gostou, o que te dá a chance de avaliar com calma antes de
enviar um "charme" e dá pra se ter um resultado melhor de
interesses mais profundos de ambos os lados. O Tinder é mais
mecânico.
O Kickoff tem uma
proposta mais calminha, tudo é menos, menos gente pra ver, com mais
informações, os perfis são mostrados um ao outro com mais cuidado
no cruzamento de interesses e tal - bacana pra quem quiser arrumar
namorada.
E o Down, apesar de ter
uma proposta mais direta no sexo, devido ao número pequeno de
participação pelo Brasil, não deve dar muito resultado não.
Particularmente,
encerrarei em breve minha experiência com a maioria destes
aplicativos, mas apenas pela razão de que apesar dos dentes da
frente, do povo bonito e tal, a lógica é a mesma dos antigos sites
de namoro, e tentam juntar os iguais, ou cruzar o que um diz que quer com o
que o outro diz que tem.
Só que na festinha,
todo mundo bêbo, todo mundo se agarra sem tanta exigência, né
isso?
Amor e desejo sexual
não funcionam tanto com os iguais, e nem com expectativas planejadas. Existem mulheres lindas que se
apaixonam por homens feios e gordos (ufa!), existem Toms Cruises que
se apaixonam por meninas magricelas e desdentadas por causa de seu
mojo, existem ninfetas que se apaixonam por velhões, e ninfetos que
se apaixonam por tiazonas.
Momento piegas: ainda
acredito na mágica dos encontros malassombrados - aqueles em que até
você mesmo se surpreende com seus desejos depois de bêbado.
Falando direto e reto,
os desejos e fantasias sexuais de cada um, estes que nos fazem dar
like numa foto, não definem nossos relacionamentos. Eles definem
nossos sonhos, que nem sempre são levados a sério quando o fogo sobe. Relacionamentos
são definidos, se você for uma pessoa normal, justamente pelas
surpresas que o outro pode lhe apresentar. Estar apaixonado é ser
surpreendido.
Bom, já fiz minha boa ação de hoje, e agora vou ali dar
uns likes pra ver se consigo pegar alguém que possa gerar histórias
neste Who Farted paradão.
Marcadores:
adorei esse filme,
adoro essa banda,
Ah vai....,
amor é lindo,
cala a boca mané
14 outubro 2015
Who Farted - The Book
Sim, caros e raros seguidores. Promessa é dúvida. Como citei há alguns posts (citei mesmo?), em comemoração pessoal pelos 10 anos deste blog safado, estou fazendo uma compilação dos textos mais bacanas e não datados para fazer um livro do WF.
A escolha não é fácil, pois se tratando de 10 anos e de blog, é uma década falando merda sem tanto cuidado assim em ser fiel à gramática vigente, e sem uma revisão assim tão criteriosa, ou isso aqui seria chato demais pra fazer. Logo, pode ser que ainda demore um pouco para concretizar o projeto, se somarmos isto à minha preguiça incansável.
Contudo, posso contar com a ajuda dos seguidores mais fieis e dos curiosos mais corajosos, caso se interessem. Se buscando pelo arquivo do blog, que está ao lado direito da página organizado por anos e meses, você encontrar algum texto que lhe interesse, que chame mais atenção, pode deixar um comentário sugerindo a inclusão deste no livro. E não se preocupe, pois o comentário não será publicado, e apenas eu o receberei, podendo inclusive ser anônimo, e atomatamento.
Quando eu publicar o livro, distribuirei de forma gratuita pela net, e caso alguma editora se interessar por este monte de bobagens, ele pode virar papel também.
Vamos ver o que a gente pode ver.
12 outubro 2015
Superexposição
E ela entrou
estonteante porta adentro. Quase não a reconhecia, pelo que sempre
via. De menina, se metamorfoseava em mulher diante de meus olhos, em
minhas suposições, mulher com jeito de menina. Cabelos longos, boca
bonita, sorriso cativante, em um vestido que fazia o máximo para não
atrapalhar, curto, pequeno, colado, quase nem precisaria estar ai.
Mas era apenas um bar.
Podia ser pra mim, ou
simplesmente não. Preferi observar mais, um pouco distante, tomando
minha cerveja, analisando o movimento à sua volta.
Tudo o
que eu queria neste momento era, como sempre fazia, perder as estribeiras, o bom
senso, o controle, este mesmo que venho tentando manter a todo custo
a toda hora, ultimamente - preciso ser um cara mais maduro, como aqueles que andam de terno pilotando os carros dos comerciais.
Não nego meus ímpetos
a todo momento, mas gostaria que estas explosões não fossem coisa
de momento, coisas de um vício pelo afago à autoestima, pelo
colecionismo.
Aquela eterna briga entre Dr Jekyll and Mr Hyde.
E me faço esta
pergunta fácil: porque é tão difícil se apaixonar hoje em dia?
A superexposição ao
desejo faz o mesmo que a superexposição ao medo - o perdemos. Sobram os instintos.
Não serei eu a mais
uma vez falar os mesmos clichês sobre como as redes sociais estão
nos fazendo mais apáticos e cínicos, mais hedonistas solitários.
Mas repetirei meu clichê, e volto a dizer que no amor é preciso
aprender a ter menos para ter mais.
E que amor teria graça sem antes passar pelos filtros das paixões?
E lá estava eu
observando, e de tanto observar a perdi de vista. Game over, por
aquela noite - para ela.
Meus jogos, contudo,
seguiram pela madrugada e viram o sol nascer com cerveja e sol,
conversas sem graça e um monte de razões para ir embora, e nunca
mais ligar.
Que efeito misterioso este que nos faz abrir mão dos objetivos, para abraçar paliativos?
Não adianta, não
tenho mais pressa. Gosto daquela emoção de apostar, correr o risco
de perder, criar valor, pois toda menina que valha a pena, como sempre vou dizer,
precisa estar disposta a voltar, me dar outras chances. Quero ser o
ganhador da dança do acasalamento e não apenas o que tem pra hoje.
Mas aquelas que não
contam tanto, estas estão sempre aí, e as conduzo com a facilidade
que meu tempo de mercado me fez adquirir.
Sim, nos apaixonamos
menos hoje, pois temos inúmeras rotas de fuga. Esta é a explicação.
Somos todos menos resistentes à rejeição, menos insistentes. E
porque insistir, se tenho outra que me chama e não dará tanto
trabalho?
Vou lhe dar apenas um motivo: todos precisamos de mais verdades e razões, ainda precisamos
conviver de verdade, ter intimidade. Esta solidão em grupo não vai
vingar pra ninguém.
Bom, deixa eu correr ali pra abrir a porta, que a geladeira tá cheia.
10 outubro 2015
Crônicas da Bunda e dos Peitos
Acho massa textos falando de como o homem
deve se comportar na cama para fazer as meninas felizes, os segredos,
o timing das coisas e tudo mais. Apesar de sempre colher boas dicas, isso também me faz ficar imaginando que
tipo de pragmatismo a pessoa deve ter para fazer sexo com uma menina
linda e cheirosa, sem se empolgar, de forma a não errar nos passos
da boa comida, sem broxar, sem gozar antes, sem perder a
concentração, sem demorar muito em cada fase, sem jogar a toalha
molhada na cama, sem esquecer de tirar as meias.
Certamente, minhas
melhores transas não foram aquelas em que me propus a fazer
malabarismos ou utilizar técnicas de excitação, e nem mesmo
aquelas em que me preocupei muito em satisfazer a menina. Os melhores
rocks mesmo foram aqueles em que ninguém se preocupou com nada -
nem mesmo em ter prazer.
Digo, puxa, se eu vou a
um restaurante comer uma lasanha, não vou ficar o tempo todo
avaliando as qualidades da lasanha, ou se ela vai me dar todo o
prazer que eu poderia ter ao comer uma lasanha, ou se a lasanha vai me
chupar ou não, se ela me ama. Vou lá e como, curto o momento, e se a lasanha for
de meu gosto, voltarei, assim como posso voltar pelo ambiente do
restaurante, ou porque fica perto de casa. Tudo tem lá seu valor, e
seu peso nestas horas. A lasanha deveria pensar o mesmo, nesse mundo moderno.
As melhores noites
foram aquelas em que os dois, ou três, ou quatro, estavam gostando
de estar juntos, estavam conversando, tomando cerveja, rindo, fazendo
bagunça, testando eletrodomésticos, frutas, pirulitos, lasanhas e
oleosidades em geral, sem toda esta preocupação de resolver todos
os problemas da sexualidade da minha, da nossa ou da sua vida naquele momento.
Quando você se fecha
no quarto com uma menina e começa a se preocupar com sua nota na
avaliação final, a coisa vai desandar e chegar ao resultado
contrário do que todo mundo quer. Vai ser menos divertido.
E se a moça ficar
lembrando do que a revista Marie Claire dizia que ela teria de sentir
naquela hora, ou ficar encanada em não decepcionar suas amigas
feministas na hora de escolher as posições, a coisa vai dar mal.
O que excita de verdade
é ver o desejo do outro. E não adianta fingir.
Sexo é estado de
espírito. Pelo menos, sexo bom é assim - existem lá as modalidades
esportivas da causa, mas não é vida real, nem tem conteúdo, não
traz sentido, continuidade.
Tudo bem que eu devo mesmo defender estas teorias, já que ando tão gordo que pouco mais me restam do que três posições sexuais: em cima, embaixo ou deitado pegando fôlego pra voltar. Mas acho que independente de meu sarcasmo, a coisa vai no mesmo caminho pra todo mundo.
Tudo bem que eu devo mesmo defender estas teorias, já que ando tão gordo que pouco mais me restam do que três posições sexuais: em cima, embaixo ou deitado pegando fôlego pra voltar. Mas acho que independente de meu sarcasmo, a coisa vai no mesmo caminho pra todo mundo.
A boa trepada é aquela
em que você olha a pessoa e tem vontade de desfrutar dela, de passar
a noite juntos, testando paladar, tato, audição, olfato, visão e
especialmente os outros sentidos ainda não catalogados.
E tem mais... eu devo
mesmo estar filosofando demais porque, relembrando Cazuza, "neste
raio de suruba, já me passaram a mão na bunda eu ainda não comi
ninguém".
Vou é encher a
geladeira de cerveja, porque vai que...
14 setembro 2015
Tá Fazendo é Nada
Apenas para bancar o chato, resolvi fazer uma postagem curta contradizendo alguns memes que vi ultimamente circulando por aí, da nova safra neofeminista-homensnuncamais.
Como percebo que uma das maiores preocupações da mulher moderna é em como afastar os homens e suas cantadas idiotas de perto delas, a não ser que se trate do Rodrigo Santoro ou algum maluco de boné de aba reta que ela mesma quer cantar, ou sei lá, vou dar três dicas infalíveis para que esta tentativa NÃO dê certo, em mais um manual prático do Who Farted.
Como Não Espantar Homens Que Queiram lhe Pegar
1) Dizer que tem namorado, ou deixar isso explícito nas conversas: de boa, faz tempo que eu, ou os outros caras que andam por aí nos mesmos lugares que eu, não nos deparamos com mulheres solteiras. A grande parte das mulheres com quem já fiquei nas noitadas, na manhã seguinte esclareceu que tinha um namorado, um amante, ou um ficante desavisado de sua vida apimentada pelos bares quando elas não estavam por perto. E de levar corno, eu mesmo já até cansei. De forma, que dizer que tem namorado não é exatamente um grande empecilho, hoje em dia, graças à modernidade destes jovens loucos deste mundo pré-apocalíptico. E isto, fique bem claro, não tem muito a ver com machismo, mas sim com o feminismo mesmo, até onde entendo - isso pode Arnaldo? PS.: esse papo de dizer que homem respeita a presença de outro homem é absolutamente uma lenda.
2) Ficar chamando o jovem que tenta lhe abordar de "amigo": de novo, caminho errado. Qual o problema de ficar e transar com os amigos, cara moçoila? Algumas das melhores noites que já tive foram com amigas, que terminaram voltando a ser apenas amigas, na manhã seguinte. E quem é que respeita mais essas coisas? Pra uma noite, não tem stress, e se for pra namorar e casar, é melhor mesmo que seja uma amiga, ou a coisa não vai prestar. Ah, estes jovens...
3) Dar tapinhas nas costas, quando abraçar para dar um beijo no rosto: essa é de longe a mais estranha das atitudes que vejo em algumas meninas quando querem sinalizar que não vai rolar nada, porque geralmente vem das meninas com quem você realmente não pensou em ter nada desde o início. É bem constrangedor, e mais provável que a partir daí você acabe é gerando curiosidade. Tenta essa no caso de você querer chamar atenção de alguém, que talvez seja mais efetiva.
Quer uma solução rápida para um cara nunca mais te ligar e desaparecer da sua vida? Saia com ele e tenha uma boa noite de sexo. Se não for amor, nem amizade colorida, ele não vai ligar no dia seguinte (em todos os sentidos).
Falou o consultor sentimental do Who Farted.
23 agosto 2015
Em Busca da Segunda Chance
Viva a bunda. É sempre
por ela que as coisas começam e acabam. O homem olha a bunda de uma
bonita moçoila, se apaixona por ela e gerencia a coisa toda até
levar um pé na bunda da mesma.
É isso.
Relacionamentos perfeitos não existem. Eles começam com safadeza,
com percepções pouco profundas de quem são estas pessoas, um
cheiro bom, um cabelo.
Meninas se interessam
por mim imaginando, às vezes, o cabassafado ogro puxador de cabelos
e superdotado que grita e toca guitarra no palco de um bar, mas terão
de se deparar, indeed, com um gordinho de convivência fácil e que
vive de chinelão e bermudas, comendo pizza e se arriscando em
empreitadas malucas nos negócios - no drugs, no rock'n'roll, but
some beer and sex.
Principalmente nos
tempos de informação fácil, agilidade de comunicações e Tinder,
é preciso se lembrar que um bom relacionamento amoroso com alguém
precisa ser construído - não virá pronto, como já chegamos a
imaginar em tempos remotos.
Sempre que conheço uma
nova menina, seja ela ninfeta ou pós-ninfetona com méritos, estou
pronto para enfrentar o primeiro tempo sabendo que provavelmente ela
marcará três encontros no mesmo dia com outros caras, café, almoço
e jantar, e deve saber gerenciar isso tão bem com seu megacelular
cheio de apps que quase ninguém percebe, ou nem liga.
A esta altura, o caro
leitor deve ficar imaginando que o título deste post se refere a uma
busca por refazer a vida, após um primeiro "casamento", né
mesmo? Mas não, né nada disso... Relaxe.
Não caia no pensamento
cafona da geração X.
O que eu venho dizendo
é que dada a dificuldade de se ter uma segunda chance com qualquer
mulher que seja, na hora de se avançar do flerte para um primeiro
beijo, é bem capaz que no dia em que isso acontecer, eu tenha
finalmente achado a nova pessoa certa para minha vida da última
semana.
Nos últimos meses,
como ando lento, preguiçoso emocionalmente, e muito preocupado com a
salada de batatas do meu restaurante preferido, que parece estar
caindo de qualidade a cada semana, tenho batido recordes de abandono
de posto e "no show" na hora que as meninas mais parecem
querer me seduzir, sempre apostando eu num possível próximo
encontro para resolver a situação com mais calma - encontro este
que constuma não trazer os resultados esperados, pois as meninas
parecem fingir que nunca jamais fizeram ou quiseram o que tentaram no
encontro passado.
É verdade que nunca se
sabe se a moçoila realmente está lhe dando mole. Geralmente, nem
ela mesma sabe bem se é isso. São ímpetos, são testes, são um
convite a que eu tome as devidas iniciativas, como geralmente o
faria.
Por isso, uma segunda
chance é incomum. Meninas bonitas têm uma frágil autoestima, por
regra. São emocionalmente mimadas, e reagem mal a qualquer sinal de
possível rejeição. Dar uma segunda chance, portanto, seria abrir a
guarda excessivamente, seria assumir que ela quer, e portanto se expor à possibilidade de receber um não, uma noite blasé.
É tudo um jogo de
baixo risco. E este jogo tem soluções interessantes, é como um
xadrez.
E a merda é que eu tô
nem aí. Só me lembro que ando precisando voltar a comer alguém com
ritmo de repetição quando passo um sábado em casa tomando cerveja
sozinho e tocando guitarra para as paredes, afins de discutir física
nuclear com alguém e fazer amor selvagem ouvindo Blues safado.
Contudo, eu em minha enésima fase blasé já descrita no WhoFarted, tenho apostado na
segunda chance, este improvável segundo dia em que a ninfetona
demonstre as mesmas atitudes e aberturas, como um rito de passagem.
Sobre as últimas
semanas, precisa mesmo dizer? É claro que não comi ninguém.
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21 junho 2015
Este Caso Não Tem Solução
Estava dormindo amortecido após mais uma maratona dioturna de Blues nas noites olindo-recifenses, planejamentos de metas, análises de mercado, programação em java, acompanhamento de eventos, cervejas e sexo, quando num entreabrir de olhos na madrugada comecei a imaginar que estava com alguma doença fatal, um câncer de nariz, uma lombriga maldosa invasora de cérebro, um sei lá o que sem cura.
Espantosamente, não me desesperei com esta sensação. Pelo contrário, achei que aquilo era apenas um final óbvio e tranquilo, igual ao de todo mundo, e simplesmente aceitei a possibilidade sem espernear.
Assim como dizem que se morre, eu comecei a visualizar toda a minha vida, como se estivesse numa trip, chapado.
Reformulei memórias recorrentes de meus tempos de fedelho fraldoso, ainda em Recife, minhas brincadeiras com as galinhas, minhas observações de galinhas sem cabeça correndo desgovernadas antes do almoço, os pés de jambo, os cachorros, os choques, os presentes, os brinquedos.
Juntei tudo isso rapidamente e comecei a rebobinar a pré-adolescência em São Paulo, os amigos chatos, as professoras estranhas para um menino quase matuto, as cobranças, as meninas bonitas.
Lembrei dos tempos de escola e faculdade, e de como tive de me reinventar isolado das expectativas de todos numa realidade tão absurda para a maioria, que me fazia, muitas vezes, ser chamado de mentiroso - e eu me fechando mais e mais.
Mas não imagine clichês. Isto não era sofrimento, era curiosidade.
Nunca entendi direito o mundo, mas gostava da sensação de observá-lo de fora. Nunca consegui me enquadrar naqueles passos marcados de crescimento, aprendizado.
Talvez o que mais tenha marcado meu crescimento tenha sido este descompasso de saber de mais sobre algumas coisas antes da hora certa e saber de menos de coisas que os outros já esperavam que eu soubesse de mais.
Minha conexão com o mundo sempre foi zoada de mais. Se eu não fosse um cara legal, poderia ser chamado de psicopata, tamanha minha apatia e falta de empatia, exceto com os bichos. Não consigo entender muito da realidade à minha volta.
Quero dizer, que pra mim, nunca foi problema, nunca foi estranho, desejar ser astronauta, rockstar, fotógrafo de modelos, agente secreto. Eu não me prendia a limites, se você me entende.
Se para alguns, falar de comer a capa da Playboy era basicamente engolir papel, pra mim, secretamente, poderia significar que de alguma maneira que não te interessava saber eu havia conseguido conhecer e levar a moçoila para o escurinho, não por outro motivo que não fosse simplesmente minha ingenuidade em não saber que eu não deveria poder.
Eu sei que, de putaria em putaria, meu crescimento intelectual e afetivo foi esquisito. Enquanto meus amigos conseguiam entrar no esquema emprego com casamento seguido de filhos e cachorros, eu ainda acreditava que era possível fazer algo divertido na vida e transar com as amigas bonitas.
E nessa minha trip, nessa minha revisada na vida antes da morte iminente, cheguei à conclusão que a única coisa decente que eu deveria deixar para o mundo deveria ser um filho que desse continuidade a esta busca pela aventura da vida comum, e até o momento não o havia feito.
Claro, uma outra boa observação que fiz ao acordar era que ainda estava vivo, e minhas suspeitas se revelaram apenas gases whofartedianos.
Outra forma de encarar o resumo desta vida maluca em sem futuro, cuja parte mais importante é realmente a que te contei agora, é entender que apesar de todas as tentativas, eu não amadureci, como as outras pessoas.
Note que aos quarenta e tantos anos de idade eu ainda acredito que posso ser um rockstar.
O homem amadurece quando enfim volta sua vida para as necessidades das mulheres.
Falando muito sinceramente como um belo e gordo exemplar de homem, a nós não interessa muito essa coisa de arrumar emprego, montar apartamento, comprar um carro. A gente faz estas coisas pra pegar mulher, pra agradar as meninas. E depois que casa, passa a vida preocupado em pagar contas e contas para simplesmente estar ali, em casa com sua esposa criando filhos, sem ouvir reclamação.
Sendo assim, continuo na ideia da capa da Playboy, que me parece bem mais divertido do que qualquer outra coisa que me faça ser escravo, autônomo, realizando tarefas repetitivas para continuar onde estiver.
Como ouvi há nem tão longo tempo de uma namorada, eu sou um meninão. Não sei lidar com burocracia, coisas de gente grande.
A certa altura da vida, faz bem ter consciência de sua mortalidade. Não estou ficando mais novo. É bom saber que por melhores que sejam as contas, eu não vou viver pra sempre, e pior, não vou, certamente, ser ativo e bem disposto até o fim. É bom escolher prioridades.
E a esta altura, bem... não vai ser agora que eu resolver mudar.
Minha vida daria um blog.
07 janeiro 2015
Gordo Safado e Intolerante
Sempre que escrevo por aqui, sinto em mim um certo grau de melancolia - por isso mesmo, às vezes tenho evitado escrever sobre minhas aventuras whofartedianas na madrugada.
Minuto de reflexão:
Toda intolerância, todo preconceito, começa a partir da tentativa (ou sucesso) de invasão do espaço alheio, seja físico, moral, social. Aquele que invade deseja ser tolerado, aquele que é invadido pode ter reações adversas e imprevisíveis, que apenas podem ser compreendidas com muita atenção, com o exercício desta tal tolerância. Nestes casos não há o certo e o errado. Mas o "paradoxo" é que, no geral, o que se tenta é extinguir a intolerância com o uso da "intolerância às razões da tal intolerância".
Posto isto, tenho sido intolerante.
Quer você tenha percebido ou não, caro leitor, cara leitora, mas desde que comecei a escrever este blog, envelhecemos quase dez anos, eu e você. Isto se reflete, naturalmente, na minha forma de escrever, nas minhas opiniões, expectativas, e ultimamente, especialmente, na minha vontade de me expressar, ou não.
Minha vida, assim como a sua, se repete em ciclos como os assuntos deste blog.
E de novo, eu não comi ninguém - já dizia meu mais famoso bordão.
Mas, desta vez, é bastante verdade.
Digo, depois do surgimento do Facebook e do pau de selfie, tudo mudou de mais para um cabassafado de mais de quarenta, que apesar de todas as horas de safadeza adquiridas com a vida, sempre foi um romântico bobão, um cara legal nas horas vagas, quando não tem coisa mais quente pra fazer.
No começo, pensei que meu estado de isolamento mulheril recorrente fosse por elas, afinal engordei muitos quilos desde o início de minhas aventuras whofartedianas, mas logo concluí que o problema é apenas eu e minha intolerância.
Não aguento mais papo de merda nas noites, não tolero mais mulher acompanhada que fica olhando, não tolero menina que fica flertando o dia todo no Facebook e Whatsapp com aquela carinha de quem tá aprontando, não tolero mais a nova ordem, este novo e falso feminismo de boteco safado, tenho impaciência com jovens coroas em crise existencial, não tolero hmmm... um montão de clichês.
Bem, em resumo, sou um intolerante, e me sinto invadido por um universo no qual não me encaixo.
Ok, estou invertendo as coisas, eu sei. Os incomodados que se retirem.
Estou mesmo é sem vontade de nada. Desanimado com essa coisa toda. Afins de pedir uma pizza.
Esse mundo moderno deixa tudo muito difícil, são tantos jogos, todos são tão profissionais nas artes da sedução, graças à internet e seus recursos. Ninguém mais quer guardar nada.
Precisa ter cuidado pra não escrever texto longo em chat de rede social, porque dá revertério nos neurônios da menina, precisa esperar uma semana pra ligar, precisa se aproximar para beijar seguindo as 23 regras essenciais do politicamente correto, e todas estas regrinhas que você tanto conhece que eu não preciso repetir. Virou um ritual bobo, sem espontaneidade.
Mas a cerveja gelada está ali em meu quarto, e é um ótimo veneno para as máscaras do mundo moderno. Muitas vezes, uma noite de boas conversas na cama pode render frutos incríveis para a vida, inclusive sexo.
E uso outro de meus bordões; "vamos prestar mais mais atenção nas sutilezas".
Tá, vou parar de mentir. Comer, comi. Mas foi chato.
07 março 2014
Tiny Dancer
Às vezes, se quero, sei ser bobo, pegajoso, meloso – algumas podem me descrever neste papel como um polvo habilidoso um tanto chato e por vezes inconveniente, quase um ogro carente. Não posso evitar. É uma espécie de alter-ego terceiro e cuidadoso do bufão acafajestado, do pseudo-gordinho ranzinza e fanfarrão que dá tapa na cara de mulher que gosta de safadeza.
Esta é a história antiga de uma menina do tipo que quando vejo prefiro evitar. Novinha com cara de mais novinha ainda, mas nem tão nova assim, me entenda bem, e extremamente encapetada. Do tipo que faz as pessoas olharem meio estranho pra você - nunca dá tempo de explicar que não é bem como possa parecer.
Realize a situação.
Nunca foi paixão, nem amor. Uma daquelas coisas difíceis de explicar, mas que dão certo. Não foi namorada, nem será esposa. Uma amiga danada. Mas ela fica linda nua, ou conversando sobre filosofia, ou nua conversando sobre filosofia.
Vou tentar explicar novamente: quando ela pode estar junto as coisas ficam bem, aquela turbulência dos amores e paixões se acalma por alguns momentos, as coisas deixam de ter tanta pressa.
Ela vai, eu finjo sorrateiramente estar sempre ali à sua espera – uma mentirinha de carinho, em que ela finge acreditar.
Safadeza? Quem me dera...
E lá estava ela, passando quase despercebida num momento de um Carnaval passado, me chamando para dançar.
E agora, o que foi aquilo?
Fui eu que deveria ir e não saquei o lance, ou foi ela que não entendeu foi nada e não sabia mais o que dizer ou fazer?
Ora, mas que bobagem. Fiquei mesmo foi na vontade de vê-la dançar no escuro como só ela sabe, e ela deixou de saber coisas que só eu tinha pra contar, sobre a vida anormal dos ogros brancos centenários.
E entre o sono e a ressaca, só sei que foi assim.
É nisso que dá essa preocupação danada em avisar que não quer casar – num te digo?
Essa é a história de uma menina marota que me deu seu coração sem se dar conta e levou o meu na mala escondido ao lado dos outros. Dessas coisas que duram pra sempre. E não aquelas que nos deixam loucos.
Não é sementinha de flor pra regar. É um cactus que vive no território mais árido.
Não é coisa pra se amarrar, mas pra deixar ir e voltar (e ir).
No meu planeta as coisas funcionam assim.
(só espero que ela não pense que quero casar).
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