Who Farted? - O Blog.

O Who Farted é meu blog infame de conteúdo absolutamente pessoal e intransferível, no qual publico pequenos pensamentos de filosofia nonsense de boteco e pequenas fantasias de realidade fantástica (ficção), reflexões insanas e fartológicas.

Aqui solto meus fantasmas e exponho livres pontos de vista sobre um universo maluco que me cerca.

Who Farted é meu psicanalista, meu diário, minha carta aberta a meus amigos e amigas.

06 setembro 2017

Donuts de Filosofia Arcaica


Duas coisas que estão fodendo a cabeça da moçada hoje em dia são a cobrança para ser sempre feliz e a perda da liberdade para fazer as coisas a seu tempo, gastar seu tempo, plantar suas sementes.

E isto nos leva necessariamente ao terceiro vilão, o "cara" que alimenta as outras duas situações citadas - a obrigação de estar inserido no grupo, qualquer grupo.

Possivelmente, da forma em que está, o mundo nunca foi assim tão social. Provavelmente, por influência direta da cultura de redes sociais, todos estamos sendo conclamados a fazer parte de um grupo, um grupo qualquer - e se você usa o tal do "zap" isso toma outra conotação, claro.

Os antigos e dinossáuricos antecessores de nossas gerações atuais, em dado momento, faziam parte de um grupo de escola, depois um grupinho de cursinho, e depois casavam e se isolavam com seus dois ou três amigos, mulher, marido, amantes, filhos e pronto. Não tenho certeza, mas nunca tive notícias de uma sociedade que te cobrasse tanto fazer parte, agir igual, ser igual, se vestir parecido, amar as mesmas pessoas, odiar as mesmas pessoas.

Se você não tem o mesmo pensamento político, "por que você pensa assim tão diferente de nós?". Se você não faz amizade com todos os marombeiros da sua academia, "por que você é tão esquisito e não é amigo da galera como todo mundo?". E se todo mundo odeia Los Hermanos, por que mesmo você resolveu achar legalzinho?

Eu não posso deixar de notar pessoas com vergonha de ficarem tristes, e outros que não querem contato com quem se entristece.

E a vida, acredite, precisa dos momentos de tristeza para impulsionar os bons momentos, influenciar decisões.

Quanto ao tempo, isso vem ainda de mais longe, justo uma questão de tempo.

Imagine o tempo que levava para um astrônomo mapear o céu a olho nu. O quanto demorou pra pintar a Monalisa. Imagine que esta relação de tempo-benefício, hoje em dia, foi reduzida tanto, que nada de tamanha complexidade de articulação mental e engajamento criativo jamais poderia existir.

Não que alguém hoje fosse pintar um quadro que mudasse o mundo, ou fazer exame de sangue a olho nu, sei lá. Não é isso. Mas tomar o mesmo tempo, mais preguiçoso, sem prazo pro final da tarde, para construir qualquer outra coisa de tamanha importância, que exigisse um retiro de dez anos no deserto, mesmo considerando os recursos atuais, seria improvável.

E tomar seu tempo para construir um relacionamento improvável seria repreensível, pois mesmo isto deveria estar enquadrado nos quesitos de aprovação social e resultados imediatos, felicidade extrema e explícita.

E tudo isso é um grande consumidor de energia mental, moral e cívica.

Nada de se construir um mundo com o amor inseguro de duas pessoas perdidas. A palavra de ordem é a exploração mútua e imediata de ordem sexual, moral e afetiva - e até política - em alta performance, até que se esgotem as fontes e partamos para a próxima pessoa. Amor com lógica de gafanhoto.

Assumir seus próprios pensamentos enquanto pessoas que não têm nenhum interesse real na sua vida te estimulam a pensar do jeito deles, seria pouco inteligente, socialmente falando,

Talvez eu estivesse com saudades dos tempos da pipoca na praça em volta da fonte de água e pombos cinzas comendo milho no chão.

Mas claro que não, porra.

Estou falando do meu tempo mesmo, do tempo atual.

O agora poderia ser revisto.

Mas talvez, seja preciso este tempo que ninguém mais se propõe a gastar, e se desgarrar um pouco de todos estes grupos, todo e qualquer grupo, que tanto faz questão de nos cercar.

E dito isso, talvez, isto não te faça feliz.

É, sou um imbecil raiz. Do tipo que insiste em pensar diferentão, (quase) não faz maratona de séries no netflix, e fala um monte de abobrinha old school, mesmo que isso não agrade.

 

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